Públicos ou privados? O exemplo CTT…

por Jéssica Ferreira | 2018.02.10 - 23:51

 

 

Não, não tenho nada contra as privatizações! Há boas empresas públicas, boas empresas privadas e vice-versa.

Sou apologista da opinião que o desenvolvimento de um país passa essencialmente pelo progresso do sector privado, só assim se gerando riqueza, através do movimento de capitais.

Mas a privatização dos CTT teve como fundo de origem uma estratégia sem sentido nacional… A preocupação foi apenas um encaixe financeiro de curto-prazo, para satisfazer os objetivos implementados pela troika. A privatização, nos últimos anos, rendeu aos cofres do estado um elevado valor monetário, tornando-se uma excelente fonte de receita. E desta forma diminuiu-se a dívida pública, sendo também menos uma dor de cabeça a resolver.

A privatização é um contrato celebrado entre o estado e terceiros e deve responder aos interesses coletivos. As empresas privatizadas devem ter em conta a supervisão pública, pois são mercados imperfeitos, de forma a não colocarem em causa os elementos estratégicos do país, cujo objetivo é assegurar a boa atividade nacional.

Neste caso concreto, o objetivo dos atuais acionistas dos CTT sempre foi o lançamento no mercado dos negócios financeiros, por meio do banco CTT, em detrimento do serviço postal, através da liberalização do mercado, mantendo ainda como foco o sector da distribuição, porque ainda é uma forma rentável e de lucro de todas as atividades que o CTT possui, para depois investir o seu capital próprio no mercado financeiro.

Em novembro de 2017, os CTT perderam 284,7 milhões do seu valor em bolsa. Não, isto não se refletiu nos salários dos administradores… Nos últimos três anos, os membros da administração receberam 12 milhões em dinheiro e ações, tendo o seu CEO, Francisco Lacerda, levado para casa três milhões.

A situação levou à degradação do serviço, a vários encerramentos de balcões de correios em tudo o País, despedimento de trabalhadores, substituídos por contratos de trabalho precário e sem direitos, a famosa “roleta de trabalhadores”, tudo para satisfação da ganância dos acionistas.

O estado não pode nem deve “dificultar” serviços indispensáveis à população, muito menos aos mais desfavorecidos, aqueles que ainda se deslocam todos os meses a esse serviço para receber as magras reformas.

Existem três possíveis soluções, ou o estado se torna acionista comprando dividendos, ou realiza uma negociação para o retrocesso da privatização, o que de uma outra forma será a mesma solução, o agravamento da carga fiscal de todos os contribuintes, ou aterra aí um novo Angolano ou Chinês e este problema, num instante, encontra cabal solução…

 

(Fotos DR)