Patronímico Carreira

por Fernando Figueiredo | 2014.10.30 - 18:50

 

José Carreira em mais um texto com a fleuma que todos lhe admiramos vai-se às classes sociais com a diligência de um perdigueiro em época de caça. Segundo Carreira “(…) Ter um sobrenome conhecido na praça permite “saltos à vara” e “ultrapassagens pela direita”. As portas abrem-se-lhes e os tapetes vermelhos aguardam sentir o rasto dos sapatos italianos… Pouco ou nada se lhes exige, não sendo submetidos ao habitual crivo da seleção.(…) ” Obviamente José Carreira conhece as diversas classes sociais, ora está num palácio a ouvir uma ária e discutir filosofia política como está numa taberna a abrir uma mini e a jogar matrecos. Em Carreira o eclectismo compensa. De lamentar que apenas conheça os figurantes errados de cada uma das classes. Todos sabemos que em todas as classes sociais existe gente de valor e carácter sendo que também existe, à falta de termo melhor, gente pouco dotada de talento ou destituídos de têmpera. Os atributos, bons ou maus, existem independentemente do berço.

Fica um exemplo: Imaginem um ex-presidente de concelhia, sem nome na praça, com uma visão política limitada pela sua própria incapacidade em ver mais longe e altamente condicionado pela imagem pública que procura transmitir; do outro lado uma jovem, com nome na praça, sem medo de arriscar e com vontade de a cada dia fazer mais, ultrapassar fronteiras, correndo todos os riscos, apesar do seu nome. Qual dos dois escolheria o leitor para um cargo de peso? Um ex-líder tolhido pela sua própria falta de recursos ou uma jovem que não se deixa limitar (por ela própria ou por terceiros)?

Não é uma questão de nomes, é uma questão de capacidade ou incapacidade. Já a inveja é uma questão de mentalidades, sem limites de sobrenome ou classe social.

PS: Quando um homem de têmpera polemiza tem a obrigação de identificar as pessoas com quem polemiza, o contrário é cobardia, meu caro.

 

Forjado na Beira Alta, aos 56 anos dá-se por bem casado e aprecia a companhia de três filhos, dois ainda na fase de espalhar magia a toda a hora; em família dá-se como feliz, apenas por o fazerem feliz. Como os duros estudou na Academia Militar, que não é para meninos e na época em que ainda se viajava de pé no comboio mas teve ainda tempo para queimar as pestanas em Gestão de Recursos Humanos. 36 anos “militarizado” vê-se agora na reforma a procurar ser “civilizado”. Em termos profissionais esteve no Iraque e voltou para contar, também esteve em Timor onde bebeu água de coco e visitou Jaco, erro fatal que lhe deixou o coração preso nas valorosas gentes timorenses e nas paisagens únicas do País que ajudou a ver nascer independente já no Séc XXI. Nos tempos livre actualiza o blog mais lido e odiado do delta do Dão, o Viseu Sra da Beira, e ainda escreve textos para jornais mas, poucos o lêem. Homem sem grande preocupação em fazer amigos, escreve o que entende sobre quem não consegue entender. Tais liberdades já lhe valeram um par de processos em tribunal, sem nunca se ter declarado Charlie. A genética deixou-o sem um único cabelo mas está careca de saber que os valores do trabalho, da honestidade e da amizade são o maior legado que o pai lhe deixou. Benfiquista moderado, gosta mesmo é de um bom jantar na companhia dos melhores amigos. Agora como empresário e homem de negócios só aceita de lucro o necessário para viver e distribuir por outros e de comissão a 100% a ética, a responsabilidade e o profissionalismo. É garantidamente mais bonito ao vivo que em foto.

Pub