Patinar na “legolândia”

por Pedro Ribeiro | 2018.04.11 - 22:52

O Hóquei Clube de Viseu completou recentemente 32 anos de atividade ininterrupta num aniversário repleto de vida e juventude.

Um sobrevivente que desde o cimento no parque da cidade e no Fontelo tem sido berço de campeões. Sobreviveram ao fecho de portas dos demais clubes e nunca baixaram os braços perante as maiores dificuldades.
Recentemente podemos apontar como êxito a formação de vários atletas ao mais alto nível salientando-se uma vice-campeã europeia em hóquei patins pela seleção nacional A feminina e vários outros a representar as seleções nos escalões de formação.
Ora dito isto, Viseu é a única cidade onde o hóquei é praticado sobre plástico no pavilhão da Viriato propriedade da edilidade viseense. Vá onde for este clube encontra pisos em madeira próprios para a prática e principalmente para a formação. E olhem que a capitais de distrito só vamos a uma (Coimbra), Mira, Cucujães, Santa Joana, Arazede, Arouca, só para dar alguns exemplos de pequenas localidades com condições de excelência. 
Tendo a câmara de Viseu levado a cabo obras de requalificação no dito pavilhão, retirou uma avultada quantia do orçamento previsto não só para ajuste direto da obra, mas quiçá para a fachada do pavilhão do Fontelo que arregala olho a quem passa. Ao aplicar este piso ignorou por completo a especificidade da modalidade, apesar dos pareceres apresentados por quem de direito, a esse propósito. E mais gritante ainda, ignorou a péssima experiência neste piso testado num europeu realizado em Portugal onde nem o próprio selecionador nacional permitiu treinos num pavimento igual. Nem os chuveiros tiveram direito ao dimensionamento adequado para crianças de 6 anos e até menos, esperando ainda o clube que o accionamento do chuveiro seja modificado. Ou os miúdos são super homens ou o pai toma banho com o filho para estar sempre a apertar o manipulo.
O hóquei que renascido tem perto de duas centenas de jovens a patinar está estrangulado até nos horários disponíveis para o treino dos seus atletas. São vários os desportos aqui praticados “empurrados” para não perturbar outros nos seus pavilhões quase que exclusivos com treinos a iniciar literalmente ao minuto não levando em conta a especificidade da modalidade e muito menos o facto de que não há mais onde se patinar.
Assim é em Viseu onde se apregoa 1 milhão de euros investidos no desporto. É verdade que a sede do clube funciona no pavilhão? É. Mas também é verdade que esse apoio “material” é convertido em pecuniário na hora de subsidiar em igualdade, dizem. Também é verdade que as bancadas que a todos servem são do clube.
É mais que tempo de apoiar o HÓQUEI CLUBE DE VISEU colocando de vez o pavimento pois este impede a boa prática da modalidade com maior antiguidade no pavilhão. É imperativo que os nossos jovens tenham condições de aspirar mais alto. E não é em cima de plástico que o farão. Mas fizeram-no. Imaginem se fosse com as condições legítimas que se exigem. Imaginem que não seria por desvios de verbas e prepotência de não aceitar a opinião de quem sabe.
Imaginem estarmos a dar os parabéns a uma referência do hóquei em Portugal. Porque isso é possível. Basta o querer de quem pode e deve impulsionar isso.
Parabéns ao Hóquei Clube de Viseu, aos seus dirigentes e associados, e principalmente aos pequenos grandes heróis sobre rodas.

(Foto DR)

Membro comissão política conselhia CDS Viseu

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