Passeios de pobres… riqueza dos sentidos

por PN | 2017.07.02 - 15:20

 

 

Na impossibilidade de fazer os grandes “tours du monde”, vou-me contentando com uns singelos passeios de sábado ou domingo, pela riqueza e beleza do nosso território.

Desta feita – e para variar ?! – rumei a Sernancelhe. O motivo? Estar com amigos na nova sede do PSD onde se juntou um grupo de voluntários capitaneados pelos autarcas Carlos Silva e Armando Mateus, para limpar, recuperar, pintar e… deixar tudo a brilhar. O amor à camisola é isto e esta genuinidade que ressumbra dos actos desta gente boa.

César Lourenço, o candidato do PS à Câmara de Sernancelhe, por qualquer motivo interno ou desejo pessoal, desistiu da sua candidatura. É pena, o César era um bom candidato. Atrever-nos-íamos a dizer, o melhor candidato socialista. Agora, em sua substituição de última hora e segunda escolha, fala-se de uma advogada de Viseu. Desejamos-lhe boa sorte. Bem precisa…

De Sernancelhe rumei a Moimenta da Beira, localidade que muito tem crescido. De seguida, rumar a Armamar, que também está em boas mãos, e visitar três aldeias preservadas: Goujoim, Lumiares e Gojim. Preservadas e protegidas, limpas e bem cuidadas, estas aldeias cuja história remonta a antes do século XIII têm tudo, mas… falta-lhe gente e mormente juventude. Em Goujoim, a pé, de máquina fotográfica em punho, andámos mais de hora e meia. Das suas pedras e casario ressoam as suas Histórias. Do asseio, o empenhamento autárquico. Porém, não cruzámos com viva-alma…

Descer ao Douro é sentir ecoar as palavras de Miguel Torga:

 “O Doiro sublimado. O prodígio de uma paisagem que deixa de o ser à força de se desmedir. Não é um panorama que os olhos contemplam: é um excesso da natureza. Socalcos que são passadas de homens titânicos a subir as encostas, volumes, cores e modulações que nenhum escultor, pintor ou músico podem traduzir, horizontes dilatados para além dos limiares plausíveis da visão. Um universo virginal, como se tivesse acabado de nascer, e já eterno pela harmonia, pela serenidade, pelo silêncio que nem o rio se atreve a quebrar, ora a sumir-se furtivo por detrás dos montes, ora pasmado lá no fundo a reflectir o seu próprio assombro. Um poema geológico. A beleza absoluta.”

Miguel Torga in “Diário XII

Depois, da Régua para cima, a aproveitar uma A24 que naquele troço não vai ao bolso do automobilista, seguir a S. João de Tarouca, o Vale Encantado, e subir à Serra da Nave ou de Leomil para chegar, num rufo, a Vila Nova de Paiva. Aqui, visitar e fotografar o aproveitamento fluvial do Rio Paiva e passar uma hora na “paz do Senhor”, deliciado com aquela obra aprazível, matriz decerto para Almeida Henriques copiar e mal, o arremedo que fez com “pompa, bombos e circunstância” na Radial de Santiago que estava votada ao mais completo e degradado abandono e a qual, fruto de muitas intervenções e críticas, entre elas da Rua Direita, foi “reciclada” para o seu objectivo original,  já mostrando um aspecto condigno, porém, muito aquém do prometido e no total incumprimento dos prazos com as trombetas anunciados.

Um executivo a reboque que tem muito a aprender com as autarquias pequenas, dinâmicas e profícuas atrás enunciadas… Se não andasse tanto em “bicos de pés” a anunciar aos sete ventos o que vai fazer e se se comprazesse apenas em fazer… outro “galo lhe cantaria”. Assim, assemelha-se a um papagaio psitacista.

Ainda passei pelo Sátão, mas…

Em suma, regressei a Viseu com 200 quilómetros feitos. Gastei pouco mais de 10 litros de gasóleo, a despesa na merenda de um pão com queijo e um chá. Menos de 20 € no total me custou tal périplo.

Muito pouco, para o excelente retorno que tive! Ouse, caro leitor… Ouse…