Oportunidade ou oportunismo na criação de “casos políticos”?

por PN | 2017.09.15 - 13:59

 

 

O Fundo Monetário Internacional (FMI) escolheu o dia de hoje, a escassas duas semanas das eleições autárquicas para apregoar a notícia, depois muito bem engendrada pelos jornalistas da sensação e de serviço, de que quer “nova austeridade de 950 milhões para 2018”, no entendimento de que “as condições favoráveis do ciclo económico providenciam uma oportunidade auspiciosa para uma consolidação estrutural“, com incidência na “contenção da factura com os salários da função pública“, com o objectivo de maior “eficiência da despesa social” e visando “revisitar as recentes reformas nas pensões”.

É evidente que frisa serem “recomendações”. Mas a 15 dias de eleições?

Nesta “maltasia” e nos seus actos não há inocência. Também aqui, neste contexto, será grande o “pecado” cometido e a ser pago pelos portugueses da factura CGD, da qual não se conseguem apurar responsáveis por milhares de milhões de “asneiras” engendradas pelas anteriores administrações. Terão todos os governos “rabos de palha” a ocultar? Daí tal silêncio e/ou cumplicidade? Não esqueçamos que a recapitalização do banco público teve um impacto brutal no défice…

Ainda assim e face a esta “alarmante notícia”, o Governo aproveita a “deixa” para fazer a sua optimista leitura:

O Ministério das Finanças salienta a importância das políticas implementadas para ultrapassar as deficiências estruturais não resolvidas durante o Programa de Assistência Económica e Financeira, particularmente no sector financeiro e face aos desequilíbrios sociais então gerados. O FMI vem agora reconhecer que o aumento da estabilidade e da confiança no sector financeiro e a melhoria dos níveis de confiança na economia, conseguidos ao longo do último ano, são cruciais para o actual crescimento económico“, e acrescenta: “O FMI salienta os avanços registados por Portugal ao longo do último ano. Esta avaliação representa uma evolução positiva da análise do Fundo, visível no expressivo crescimento económico previsto para 2017: 2,5%, uma revisão em alta, partindo dos 1,3% previstos no último relatório de Fevereiro. Para 2018 a previsão foi agora revista para 2%, sendo anteriormente de 1,2%” (…) “este reconhecido sucesso da mudança estrutural é apoiado num esforço credível e equilibrado de consolidação orçamental, alicerçado numa gestão criteriosa, suportada na revisão da despesa pública, aliada a um alívio efectivo da carga fiscal“, que se traduz “numa redução do défice e da dívida pública, conferindo, assim, confiança no crescimento futuro“. E conclui: “O Governo permanecerá empenhado em consolidar os resultados até agora obtidos e em melhorar o potencial de desenvolvimento económico e social do país“, no entendimento de que “a concretização do Programa Nacional de Reformas desempenha um papel essencial nestes compromissos.”

Apre! O politiquês de mãos dadas com o “economiquês” geram um dialecto mais áspero que o barranquenho. Daqueles que, 98% da população nunca chegaria a entender se, numa esperançosa hipótese, se debruçasse sobre a matéria em epígrafe.

E afinal, no fundo, o que vem aí com o novo ano? Mais alívio ou aumento da asfixia dos portugueses? A ver vamos…