Obras de Sta. Engrácia, Expresso e Aquilino, em Sernancelhe

por PN | 2018.02.15 - 16:22

 

 

A rua do Magistério, antigo nome da rua Serpa Pinto, anda em obras. Obras que se perpetuam e mostram bem a indiligência de quem é por elas responsável.

No cartaz posto no início da rua pode ler-se: “Construção de Infra-Estruturas de Gás Natural, Beira Gás, SA. Início da obra: 26/09/2017; Conclusão: 29/09/2017”.

Ninguém pedia que as fizessem em três dias… Mas quase 150 dias, além de desmentir o que a imagem documenta, mostra bem o Deus-dará que por aí vai.

O Expresso, que durante alguns anos deixei de comprar, afirma-se agora, que mais não seja pela sua Revista. Pela qualidade das entrevistas, de cronistas como Clara Ferreira Alves, Pedro Mexia e outros, mas também pela qualidade do seu grafismo.

E basta atentarmos numa página integral com esta foto supra, que ilustra o artigo de Fortunato da Câmara, “Comer por escrito”, para dissiparmos dúvidas sobre o bom gosto e o cuidado que revela.

E também o respeito e a consideração pelos seus leitores.

Sernancelhe é um concelho que se tem destacado em todo o distrito de Viseu pela sua intensa actividade cultural. Desde os plurais concertos de música erudita, à etnografia, à literatura, ao desporto… quanto é feito tem um cunho bem marcado de atenção, genuinidade e qualidade.

Este fim de semana, o secretário de Estado das Autarquias Locais, Carlos Miguel, vem inaugurar obras. Entre elas, a requalificação do largo do Carregal, terra que viu nascer Aquilino Ribeiro a 13 de Setembro de 1885, que passará a ter o nome do grande vulto das Letras nacionais.

Já em 2016 a CMS tinha editado uma fotobiografia de Aquilino, na revista literária camarária com esse nome. Nesse mesmo ano, conjuntamente com a Bertrand — a livraria mais antiga do mundo, com a sede do Chiado fundada em 1732 — reeditou o livro “Cinco Réis de Gente“, que narra os dez primeiros anos de vida do jovem Amadeu Magalhães, nome ficcionado do escritor, na localidade do Carregal.

Esta autarquia não esquece quantos dos seus “filhos” se impuseram por “obras valorosas“, mas não esquece também a sua tradição e os seus costumes. Por isso, o secretário de Estado Carlos Miguel, terá ainda tempo para abrir o 5º Festival das Sopas, para o qual todos somos convidados, a degustar os caldos apresentados por 16 associações e juntas do concelho.

E para tal, tão profícuo vigor e actividade, nem é preciso tanto foguetório como se vê por aí, em cidades onde a mediocridade é directamente proporcional ao chico-espertismo aparolado e ao pedantismo novo-rico.