O Zé da Jota!

por Fernando Figueiredo | 2015.10.20 - 06:38

 

O que têm em comum Passos Coelho, Guilherme Almeida, António Costa, João Paulo Rebelo, José Seguro, Pedro Alves ou Miguel Relvas? À tentação do leitor responder “a incompetência”  eu não discordarei, mas a resposta correcta, para a finalidade deste texto, será são todos ex-jotas e, de uma forma ou de outra, fizeram, ou estão a fazer, o seu caminho colados à “mão protectora” dos partidos.

Há muitos adjectivos com competência (coisa que falta nas jotas) para classificar a juventude a maioria deles positivos e justos. Eu aprecio a juventude que merece ser classificada por esses adjectivos. Como não gostar de gente descomprometida, empenhada em evoluir, que questiona tudo, procura respostas, capaz de pensar por si, capaz dizer e escrever o que pensa sem medo de correr riscos em navegar contra a corrente? Como em tudo na vida, há um outro tipo de juventude, uma juventude que tendo nascido para singrar sem esforço, não vai além da vaidade do próprio umbigo, não pensa além do rebanho, evita desafios, joga pela certa sabendo que será recompensada por ser cinzenta.

O primeiro tipo de juventude, sendo mais rara, é fácil de encontrar na sociedade civil, nas empresas, estão nas ruas de Viseu, estão em Portugal, estão espalhados pelo mundo. A segunda juventude também é fácil de encontrar, basta procurar nos partidos políticos, particularmente nas jotas, abundam nas sedes partidárias. Por conhecer bastantes jotas, sou obrigado a fazer a ressalva, nem todos são farinha do mesmo saco, mas raros são os exemplos de políticos que tendo passado pelas “jotas” enobreceram a vida política e esses contam-se pelos dedos de uma mão.

Mas que mal haverá nas jotas pergunta o leitor. As jotas nasceram com o objectivo nobre de serem escolas políticas, pretendiam ser associações de jovens interessados na coisa pública e não há nada errado com isso, mas a vida política não se deve esgotar dentro do universo partidário. É possível e desejável concretizar estes objectivos sem estar condicionado pela militância partidária, os jotas é que nunca pensaram nisso (como aliás não pensam em muita coisa, além de bola e em praticar o culambismo celebrizado pelo Miguel Esteves Cardoso).

Hoje em dia, a jota, é sinónimo de “infantário” da política com “P” pequeno. É neste infantário que os jovens desenvolvem as suas primeiras “redes de contactos”, dão os primeiros passos nos “jogos de influências”, passam a primeira, a segunda e ainda a terceira rasteira politica. Aprendem a ser o porta-voz da vontade do dono do tacho, têm a oportunidade de se transformar num pequeno cacique, através do recrutamento de novos membros, são a melhor, e mais fácil, forma de ascensão a uma carreira colada ao Estado. Tudo isto perverte o sentido da existência das jotas.

Vem este texto a propósito da candidatura de José Pedro Gomes à Federação Distrital da JS Viseu, para não ser totalmente injusto podia deixar aqui mais nomes de jovens apontados pelos partidos como “o futuro” e que na realidade não passam de mais do mesmo.

Se o objectivo dos partidos é renovar-se e atrair jovens, desinteressados, bem preparados, capazes para a actividade política, talvez esteja na altura de começarem a questionar o funcionamento das suas jotas , porque claramente não está resultar, basta uma consulta nas listas de militantes destas estruturas, para perceber que a grande maioria não acrescenta valor à sua actividade (além do agitar de bandeiras e repetição dos chavões debitados pelos seniores) e as excepções não chegam bastam para justificar a sua existência, porque essas excepções rapidamente optam por outros caminhos.

Estando certo que, em breve, verá o seu nome a par com os do primeiro parágrafo, deixo os parabéns, ao José Pedro Gomes, pela vitória anunciada.

Forjado na Beira Alta, aos 56 anos dá-se por bem casado e aprecia a companhia de três filhos, dois ainda na fase de espalhar magia a toda a hora; em família dá-se como feliz, apenas por o fazerem feliz. Como os duros estudou na Academia Militar, que não é para meninos e na época em que ainda se viajava de pé no comboio mas teve ainda tempo para queimar as pestanas em Gestão de Recursos Humanos. 36 anos “militarizado” vê-se agora na reforma a procurar ser “civilizado”. Em termos profissionais esteve no Iraque e voltou para contar, também esteve em Timor onde bebeu água de coco e visitou Jaco, erro fatal que lhe deixou o coração preso nas valorosas gentes timorenses e nas paisagens únicas do País que ajudou a ver nascer independente já no Séc XXI. Nos tempos livre actualiza o blog mais lido e odiado do delta do Dão, o Viseu Sra da Beira, e ainda escreve textos para jornais mas, poucos o lêem. Homem sem grande preocupação em fazer amigos, escreve o que entende sobre quem não consegue entender. Tais liberdades já lhe valeram um par de processos em tribunal, sem nunca se ter declarado Charlie. A genética deixou-o sem um único cabelo mas está careca de saber que os valores do trabalho, da honestidade e da amizade são o maior legado que o pai lhe deixou. Benfiquista moderado, gosta mesmo é de um bom jantar na companhia dos melhores amigos. Agora como empresário e homem de negócios só aceita de lucro o necessário para viver e distribuir por outros e de comissão a 100% a ética, a responsabilidade e o profissionalismo. É garantidamente mais bonito ao vivo que em foto.

Pub