O vira da política

por Carlos Cunha | 2019.10.09 - 22:39

 

Na política, como na vida as coisas acontecem, por vezes, de forma acelerada.

Deve estar a fazer mais ou menos uma semana que o PSD organizou, em Viseu, um dos maiores jantares de campanha, enchendo o Pavilhão Multiusos num grande trabalho de mobilização, que ilusiona e entusiasma qualquer político.

Não fui ao jantar, mas li algumas notícias que saíram sobre o mesmo e também acompanhei as declarações proferidas na televisão.

Nesse jantar ficou célebre a frase proferida por Almeida Henriques referindo que ” o PSD ia rio acima”, logo contraditada pelo líder dos sociais democratas e então candidato a primeiro-ministro ao afirmar que concordava com António Costa, pois, por ele podia ir tudo rio abaixo, desde que chegassem a Lisboa e a enchecessem com uma grande votação.

Até os mais desatentos a estas coisas da política se aperceberam que Rio não morria propriamente de amores pelo atual Presidente da autarquia viseense.

Não sei se nessa noite disseram a Rio que ele ia ser o primeiro-ministro de Portugal. É muito provável que sim, porque também foi para isso que ele veio até Viseu.

Na segunda-feira seguinte às eleições, Rio talvez tenha sido o único que se convenceu de que tinha liderado o PSD a um grande resultado.

De Viseu saiu-lhe a terreiro, qual capitão de mar e guerra das águas do Pavia, Almeida Henriques, que há quatro dias atrás queria ver Rio rio acima, dizer-lhe agora que ele devia ir mas era Rio abaixo, desamparando de vez a liderança dos sociais democratas.

A isto os mais polidos chamam contorcionismo político, enquanto os sem papas na língua, mas polidos a xícaras de chá de cidreira, ótimo para digestões políticas difíceis, lhe chamarão vira casaquismo.

Carlos Cunha

Carlos Cunha é militante do CDS-PP de Viseu e deputado na Assembleia Municipal. Licenciado em Português/Francês pela Escola Superior de Educação de Viseu concluiu, em 2002, a sua Pós Graduação em Educação Especial no pólo de Viseu da Universidade Católica Portuguesa.

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