“O tempo todo”

por Jéssica Ferreira | 2019.10.11 - 12:59

 Político não devia ser uma profissão, mas um lugar transitório para ajudar ao bem comum na luta contra as desigualdades sociais, na proteção dos cidadãos, no combate à corrupção e tantas outras coisas.

Mas, ao contrário da maioria das profissões, onde existe um período probatório de exigência e de prova de capacidades, tudo se  dispensa para se ser político.

Contudo, para ser político basta a filiação num partido, de esquerda ou de direita, o partido do pai ou do avô, uma licenciatura, uma qualquer porque fica muito bem ser chamado por doutor beltrano ou sicrano, é importante obedecer ao chefe partidário, partilhar ideologias e opiniões das quais frequentemente discordas, é basilar ser escolhido para pertencer a uma lista, e se pertenceres a uma seita, então é que é fantástico.  Não importa o mérito, a cultura os conhecimentos e as provas dadas. Isso é secundário. Relevante é o seguidismo, o sectarismo e até o acriticismo…

Muitos há que fazem desta profissão “ser político” uma mera carreira muito acima da vocação. Uma ascensão garantida. Uma projeção prometida. Evidentemente que as exceções confirmam a regra, mas começam a ser tão raras…

E há ainda os políticos que já estão aposentados e continuam na política, dela não “desgrudadando”, aqueles que são deputados, presidentes de câmara, eurodeputados, vereadores, e nunca fizeram outra coisa na vida senão “ser político”.  Ter outro caminho para trilhar na vida não é a sorte que valha a todos…

O povo já por si “descrente desacreditou”, perdeu as ilusões (se as tinha…!) e abstém-se. Quando me dizem que nunca mais chegaram à política cabeças brilhantes, visionários, eu engulo em seco, e respondo, “pois tem toda a razão!“. Mas na verdade não existe oportunidade para lá chegarem as tais cabeças brilhantes, se lá continuarem os velhos da retaguarda a fazer de conta que são os neófitos da vanguarda. 

Um dos grandes males da nossa democracia é haver profissionais da política.

Ser político, é hoje, em muitos casos, fazer disso profissão.

E há os outros, aqueles que na e da vida procuram e alcançam outras oportunidades, com muitos custos e sacrifícios, a montante desta alternativa de “vidinha”.

E não é com sorte e “falas mansas” que lá chegam. Antes com duro empenho, superando inúmeras dificuldades, pulsos firmes e carácter rijo…

Jéssica Ferreira