O SIRESP cheira a esturro… ?

por PN | 2017.07.15 - 11:51

 

 

Afinal, o que é o SIRESP ?

“Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal – é um “um sistema único de comunicações, baseado numa só infraestrutura de telecomunicações nacional, partilhado, que deve assegurar a satisfação das necessidades de comunicações das forças de segurança e emergência, satisfazendo a intercomunicação e a interoperabilidade entre as diversas forças e serviços e, em caso de emergência, permitir a centralização do comando e da coordenação”.
É essa a definição que consta da resolução de Conselho de Ministros, de fevereiro de 2002, que lança as bases deste sistema.

O sistema manteve a sigla, mas foi, entretanto, rebatizado como Rede Nacional de Emergência e Segurança.”

Esta é a informação oficial. Pacífica e sem polémicas. Polémica tem sido a sua intermitente actividade, com falhas à mistura, geradoras de calamidades letais.

Também suscitador de dúvidas e muito pouco explicado é sabermos porquê, apesar de tudo, foi esta a opção do governo português, em detrimento de outra proposta internacional, seis vezes mais barata (90 milhões contra 533 milhões de €) e eventualmente mais eficaze como a proposta da EADS, absolutamente e liminarmente recusada. Lembramos que esta empresa, hoje Grupo Airbus, é uma das mais destacadas mundialmente em radiocomunicações digitais na área da segurança pública.

Aparece um ministro da AI, Figueiredo Lopes, a recusar um recurso apresentado pela preterida EADS. De novo tal acontece, com o primeiro-ministro Durão Barroso. Em 2005, o SIRESP é adjudicado por despacho dos ministros Bagão Félix (Finanças) e Daniel Sanches (Administração Interna). Porém, este último tem estranhos laços com o grupo vencedor da adjudicação.

Quem é Daniel Sanches? Foi director adjunto da Polícia Judiciária, director-geral do SIS (Informação e Segurança – as “secretas”) e ministro da AI com Santana Lopes. Mas não só…

Em todo o aparentemente longo processo de investigação – se é que chegou a ser feita… — Daniel Sanches, que foi membro da assembleia-geral do BPN, detido pela Sociedade Lusa de Negócios, nunca foi ouvido na instrução do processo. Recordamos que o SIRESP é apresentado pelo consórcio integrador da Motorola, a SLN, a Esegur, a Datacomp e a PT Ventures.

Neste negócio estiveram  envolvidos o BPN, que tinha como presidente do CA, José Oliveira e Costa , também presidente do CA da SLN, também acionista da Plêiade, a 100%, aparece o referido Daniel Sanches, que foi administrador do BPN, aparece Dias Loureiro, administrador da SLN e do CA da Plêiade, aparece uma filha de Oliveira e Costa, Iolanda de Oliveira e Costa, administradora da DataComp – Sistemas de Informática, aparece Jorge Manuel Vieira Jordão, ligado à Motorola, presidente do CA da DataComp, com poderes de representação na PT Ventures, na ESEGUR, acionista do BES e da CGD Pensões.

Haverá aqui alguma coisa que não bate certo? Alguma ambiguidade relacional? Ou serão tudo meras e banais coincidências? Provavelmente… ambas. Mas a Justiça nada encontrou de inusitado. E num Estado democrático e de direito…

(foto DR)