O que estão a fazer contigo, Viseu?

por Ana Cláudia Salgueiro | 2017.11.22 - 15:59

 

 

Sou de uma geração que acreditava ser oriunda da “melhor cidade para se viver”. Uma cidade limpa, saudável, com grande parte dos serviços e do comércio que podemos encontrar nas grandes cidades, com boas escolas e com bons serviços de saúde. Em suma: uma vida de qualidade.

Mas Viseu era, de facto, assim mas está cada vez pior, ou enganaram-nos / deixámo-nos enganar, e nunca fomos a “melhor cidade para se viver”?

Nos últimos dias, tivemos conhecimento dos resultados da 12º edição do “Estudo sobre o Poder de Compra Concelhio 2015”, realizado pelo Instituto Nacional de Estatística, que pretende “(…) caraterizar os municípios portugueses relativamente ao poder de compra numa aceção ampla de bem-estar material (…)”.

Do referido estudo, é possível verificar-se os seguintes dados:

1.      Em 2015, Viseu apresentava um indicador de 95,93, quando, em 2013, apresentava um indicador de 96,6 e, em 2011, apresentava um indicador de 96,1;

2.      Comparando com algumas capitais de distrito vizinhas ou do interior, verificamos que Viseu se situa abaixo de todas elas (Coimbra, 131,54; Aveiro, 125,13; Portalegre, 105,70; Leiria, 102,92; Vila Real, 100,81; Bragança, 97,97; Castelo Branco, 97,40; Guarda, 96,25).

Do supra exposto resulta que Viseu está, claramente, a perder poder de compra, não só face a outras capitais de distrito em situações geográficas semelhantes, mas, igualmente, face à sua própria história.

Ora, estes dados pouco animadores vêm juntar-se a outra notícia de que tivemos conhecimento há algumas semanas: Viseu perdeu para Tondela a possibilidade de ter, no seu concelho, um serviço desconcentrado da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), que, numa primeira fase, contará com alguns inspetores e serviços administrativos, e, numa fase posterior, disporá, igualmente, de serviços jurídicos, com poderes sancionatórios.

Embora tenha sido sempre uma apologista do investimento no turismo, porque, de facto, Viseu merece ser conhecido e apreciado, não posso, jamais, estar de acordo com a linha que tem sido seguida pelos responsáveis camarários.

Viseu não pode continuar a depender exclusivamente do turismo e dos serviços, declinando todo e qualquer outro tipo de investimento no concelho. Não podemos continuar a aceitar passivamente que os nossos vizinhos concelhios tenham parques industriais fortíssimos e ofereçam empregos a trabalhadores qualificados, enquanto Viseu, sentado e tranquilo, diz: “Trabalhem aí e, no final do dia, venham cá divertir-se, que a festa é aqui!”.

Viseu deve continuar a promover o turismo, mas tem que investir na criação de emprego qualificado e diversificado, no fomento de parques industriais robustos e na fixação de jovens.

Não te esqueças Viseu que não basta pareceres, também é preciso seres!

 

(Imagem DR)

 

 

 

 

Advogada e Presidente da Mesa da Comissão Política da Concelhia de Viseu da Juventude Socialista

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