O protagonismo de Beatriz Pinheiro na revista viseense Ave Azul (1899-1900)

por Anabela Silveira | 2017.10.13 - 17:54

Cerca da 1hora do dia 29 de Outubro de 1871, na rua Senhora da Piedade, em Viseu, nascia Beatriz Pinheiro. 146 anos depois, faz sentido recordar o seu papel na revista Ave Azul.

 

 

 

Quando, a 15 de Janeiro de 1899, foi dado à estampa o primeiro número da revista Ave Azul, a folha de rosto fazia menção aos seus directores: Beatriz Pinheiro e Carlos de Lemos. No editorial, saído da pena masculina, elencavam-se os motivos para a sua publicação a partir de numa pequena cidade de província – Viseu. Não para preencher lacunas, nem para dar à luz uma «nova teoria de arte», nem tão pouco com objectivos do lucro[1] e de alguma «celebridade». A Ave Azul simplesmente pedia

“a todos quantos a faina da vida absorve e consome [,] repoisados, lhe escutem o canto ingénuo […], suggerindo-lhes por ventura, assim, novas forças para as quotidianas canceiras […].A Ave Azul[2] é, pura e simplesmente, uma revista de arte e crítica: mais nada. Nas suas páginas se recolherão versos, quanto possamos, bons; prosas, quanto possamos, correctas; e […], uma vez por outra, para não abhorrecer demasiado, umas notas de Esthetica, ligeiras, comesinhas, ao alcance de todos, de pura vulgarização. Todas as mais secções […] serão meramente noticiosas, mas apenas relativas a Artes e Letras[3][4].

 

Nos dois anos de vigência da revista, Beatriz Pinheiro publicou nove contos[5], um longo poema épico, dividido por quatro números, Anhelia,[6] bem como mais seis poemas[7], duas análises críticas, uma recensão à obra de Ana de Castro Osório, Infelizes. Histórias Vividas[8] e um comentário ao quadro do pintor viseense Almeida e Silva, Depois da refeição[9]. Escreveu quatro editoriais, que intitulou Chronica, todos eles dedicados à problemática da mulher, num registo profundamente feminista, estatuto que a autora reivindicava para si[10]. No derradeiro número, a Chronica, uma despedida seguida de um até já, que nunca viria a acontecer, escrita a duas mãos, recebeu a assinatura da direcção[11]. No fascículo 6 da 1ªsérie, em Cartas Abertas, Beatriz Pinheiro idealizava uma troca de impressões entre duas jovens amigas, Fernanda e Maria, sobre o estatuto do casamento[12]. Em Dezembro de 1899, o artigo Natal apresentava-se como um libelo contra a Guerra, prenúncio de filiação pacifista de Pinheiro na dobragem do século[13]. No seguimento do artigo anterior, a Direcção da revista, a propósito da recém fundada Liga Portuguesa da Paz, assumia-se definitivamente pacifista[14]. E o primeiro número de 1900 dava informação pormenorizada não só sobre a conferência de Magalhães de Lima, intitulada A Paz e a Guerra, patrocinada pela Liga, como explanava os objectivos das Ligas da Paz que se iam constituindo um pouco por toda a Europa e os Estados Unidos[15].

Mas, dos artigos publicados, aqueles que, a meu ver, fazem de Beatriz Pinheiro uma precursora da luta pela identidade de género e dos direitos das mulheres em Portugal, apresentam-se genericamente sob a designação de Chronica[16]. Outros dois textos, com o insofismável título comum, A emancipação da mulher[17], ilustram bem a pertença da autora ao primeiro feminismo português. Ora, a militância feminista de Beatriz Pinheiro provocou reacções violentas e virulentas com eco na imprensa da época, nomeadamente a católica, onde pontificava o padre Sena de Freitas. Às críticas do prelado respondia Carlos de Lemos com três longos e pertinazes artigos na Ave Azul em que defendia o feminismo e o respeito pelos direitos das mulheres que, então, se começavam a desenhar.[18]

Como articulista, Beatriz Pinheiro colaborou em todos os fascículos da primeira série (1899). O mesmo não aconteceu com a série seguinte, pois não há qualquer texto seu nos fascículos 3, 8/9 e 10/11 de 1900[19].

Chegados aqui, convém perguntar: quem foi Beatriz Pinheiro: escritora, professora republicana, feminista, pacifista, mas também guerrista, quando foi caso disso? Oriunda da pequena burguesia duma cidade de província, nasceu em Viseu, na rua da Senhora da Piedade, a 29 de Outubro de 1871. Filha de Joaquim António Pinheiro, natural de Elvas e funcionário dos correios, e de Antónia da Conceição Pais, de Paços de Silgueiros, um lugar daquele concelho[20], teve acesso a uma educação formal, frequentando, segundo as suas palavras, o ensino primário e liceal. Se o fim do liceu e, mais tarde, o diploma em Ciências e Letras, a conduziu à docência, o gosto pela escrita levou-a, ainda estudante, a colaborar na revista académica Mocidade, fundada pelo seu futuro marido, Carlos de Lemos[21], então aluno do Liceu de Viseu e no qual, anos mais tarde foi professor. Os dois criaram e dirigiram a revista Ave Azul que se manteve activa durante dois anos: 1899-1900.

A Beatriz Pinheiro não faltava a veia artística. Para lá da escrita, tocava harpa e era actriz amadora, participando em «récitas» levadas a cabo no Grémio de Viseu. Mas a artista era sobretudo uma mulher empenhada em causas sociais, nomeadamente no direito das mulheres à educação e ao ensino. O movimento anti-congregacionista, que, em finais de oitocentos, alimentava uma parte da sociedade portuguesa, exacerbou-se em 1901, com «caso Calmon», quando a filha do cônsul brasileiro no Porto fugiu da casa paterna para ingressar no convento. Cavalgando esta onda, Beatriz Pinheiro estava entre as fundadoras da União das Senhoras Liberais de Viseu, bem como da Escola Liberal de João de Deus, destinada à educação de raparigas pobres[22]. Desde o primeiro momento esteve também, de alma e coração, com a Liga Portuguesa da Paz, fundada em Lisboa a 18 de Maio de 1899, tornando-se sua correspondente na cidade natal. Pertenceu, ainda, ao Grupo Português de Estudos Femininos, à Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e à Associação de Propaganda Feminista. Em Lisboa, a 16 de Novembro de 1915, foi iniciada na Loja maçónica «Fiat Lux». No ano seguinte, com o nome simbólico de «Clemence Roger», integrou o quadro da Loja Carolina Ângelo, que abandonou em Janeiro de 1920.

Se o desfecho da revista Ave Azul não pôs um ponto final na colaboração de Beatriz Pinheiro com a imprensa do seu tempo, tendo publicado em periódicos como A Beira, Nova Aurora, Almanaque de Senhoras, A Crónica, Alma Feminina ou O Garcia de Resende, o mesmo não aconteceu com a sua permanência na cidade natal. Mal tinha despontado o século XX, o ambiente político adverso, a que não era estranho o conservadorismo católico, obrigou o casal Pinheiro-Lemos a trocar Viseu pela capital. A proclamação da República, a 5 de Outubro de 1910, encontra já Beatriz Pinheiro em Lisboa, participando na campanha a favor da aprovação da Lei do divórcio ou na reivindicação do laicismo quer no ensino, quer na prática da enfermagem. Em 1911, como professora provisória, leccionava as disciplinas de Francês, Geografia e História no Liceu Feminino Maria Pia, onde, a 8 de Junho de 1916, proferia uma conferência em defesa da participação de tropas portuguesas no cenário bélico europeu, A mulher portuguesa na guerra europeia. Dois anos antes, em 1913, juntamente com Ana Augusta de Castilho, Ana de Castro Osório, Luthgarda de Caires, Joana de Almeida Nogueira e Maria Veleda, fez parte da comissão portuguesa presente no 7º Congresso Internacional «Women Suffrage Alliance», realizado em Budapeste.

A 14 de Outubro de 1922, aos 51 anos de idade, falecia em Lisboa. Seis meses depois, a 26 de Abril de 1923, em sessão ordinária da Câmara Municipal de Viseu, era aprovada, por unanimidade, a proposta do vereador Monteiro Júnior, que convidava “a Comissão Executiva a, na primeira oportunidade, dar a uma rua ou praça de Viseu, o nome D. Beatriz Pinheiro, em atenção às altas qualidades desta escritora e poetisa ilustre que foi desta cidade”[23]. Mas a oportunidade nunca surgiu e Beatriz Pinheiro é hoje uma personalidade obnubilada na cidade que a viu nascer e onde exerceu uma activa e empenhada participação social.

 

O fascículo 8/9 (Agosto-Setembro) de 1899 inaugurou uma série de artigos em que Beatriz Pinheiro fez a profissão de fé no feminismo e na luta incansável pelo respeito dos direitos das mulheres que, paulatinamente, se vinham desenhando na sociedade europeia e americana. Nos sete fascículos anteriores, a autora foi poetisa, escritora de contos, crítica, deixando em Cartas Abertas (fascículo 6, Junho de 1899) algumas reflexões prenunciadoras do pensamento que viria a revelar em números subsequentes.

A escrita literária de Beatriz Pinheiro, que nunca usou pseudónimos para assinar qualquer peça por si publicada, inseria-se nas correntes do Decadentismo, do Simbolismo e do neo-romantismo, como frisa Martim de Gouveia e Sousa no seu blogue Ave Azul, Revista de Arte e Crítica de Viseu, na entrada “Beatriz Pinheiro e o direito das mulheres”, de 4 de Junho de 2016. Ainda segundo Gouveia e Sousa, O Enjeitado teria sido o primeiro de todos os contos publicados por Pinheiro e que faz parte do acervo da Ave Azul. À hora da morte um cardo recordava os dissabores da sua existência vivida entre o jardim, onde pontuavam orgulhosas rosas, e a leira do meloal. Ostracizado e escarnecido por todos, das rosas às borboletas, passando pelos frutos que, generosos, pendiam das árvores, o cardo, “um dia em que o meloal fora regado com mais abundância e poude ver, reflectiva na agua d’uma poça que junto dele se formara, a sua imagem feia e triste, de que elle próprio sentira um vivo horror”[24]. Apercebendo-se da sua feiura, aceitou, sem se conformar, a dolorosa solidão a que fora remetido, quebrada apenas pelo sorriso da tímida e pequena violeta que, arrancada do seu canteiro por uma rabanada de vento, acabou por, aos seus pés, exalar o último suspiro. Quando o fim se aproximava, o enjeitado cardo não podia obnubilar o horror no olhar da menina, que todos os dias regava as flores do jardim, quando com ele topava, nem a mão do afável velhinho que, ao sacá-lo da terra mãe, o atirara para longe onde agora fenecia.

Se a abordagem neo-romântica do primeiro conto remetia, ao mesmo tempo, para o ostracismo e para morte libertadora, não esquecendo as saudades de uma outra ideada vida, o conto publicado no fascículo 3 (Março de 1899), A espera, abordava, duma maneira comoventemente crua, a problemática das viúvas de maridos vivos, das mulheres que foram as primeiras vítimas do tremendo êxodo migratório que, em finais do século XIX, tocou Portugal. A pena de Beatriz Pinheiro não esqueceu a emigração para o Brasil e a longa espera de quem, na praia, viu os navios zarparem Atlântico dentro.

“ […] Dez annos! – há já dez anos que o seu João, o seu homem, o seu noive! – pois só três annos de casada co m elle vivera … – a deixara e se fora para o Brazil a ver se arranjava fortuna! […] Não pudera resignar-se áquelle viver cingido aos minguados proventos d’um logar de escrevente e ao mais que ella agenciava com a sua costura […] E lá partira apesar dos seus rogos, de todas as lágrimas, de todos os seus protestos de que era feliz assim, que nada mais precisava, que nada mais desejava. Depois… a princípio escrevia-lhe muita vez, cartas muito longas e saudosas, e de longe em longe algum dinheiro lhe mandava, pouco; mas de súbito, nunca mais escrevera […]. Demais, que voltava em breve: e indicava-lhe até o paquete e o dia que chegava […]. E há oito annos também que a pobre vae sempre assistir ao desembarque dos vapores que vêm lá d’esse Brasil, na esperança de que o seu João lhe surgirá um dia na coberta d’um navio, a acenar-lhe, muito alegre, com o seu lenço branco…”[25].

 

A ficção de Beatriz Pinheiro, ao fazer eco da sociedade do seu tempo, trazia à colação um conjunto de problemas em que o protagonismo era assumido pela mulher. Se, em A espera, a personagem – a esposa-viúva de marido desaparecido – era a principal vítima do êxodo brasileiro, A Maria Corcunda, conto que saiu no fascículo de Junho de 1899, tocava indelevelmente o universo feminino oitocentista: a mulher feia e defeituosa – Maria Corcunda – que, apesar de algum pé-de-meia, ficara solteira e só; os amores ilegítimos e as crianças enjeitadas; as diferenças sociais entre amantes – a menina rica e o rapaz pobre – a que a fortuna «brasileira» punha um ponto final. Ora, dulcificando as diferenças, o vil metal não só as esbatia como legitimava a enjeitada que, dum momento para o outro, passou dos braços de quem a recolheu e amou incondicionalmente – Maria Corcunda – para o solar da «fidalga», a quem o casamento endinheirado lavava a nódoa de uma gravidez indesejada. Os laivos neo-românticos da autora levaram à morte de Maria Corcunda, que sucumbiu de saudade. Não por acaso, seria por uma análise muito crítica ao instituto do dote e do casamento que, na revista viseense, se iniciariam os textos feministas de Beatriz Pinheiro.

Por sua vez, o conto publicado no fascículo de Julho de 1899, O Crime, tendo em pano de fundo um homicídio por ciúme e um suicídio por remorso, voltava ao tema do casamento a que aliava uma paixão funesta. A trama reduz-se a pouco mais de três linhas: Josefa Maria era uma bela aldeã cortejada por dois mocetões – o João da Quinta, rapaz de algum «cabedal» e o Pedro da Azenha, bonito e rico. O coração de Josefa pendia para Pedro que “aparecera uma manhã morto d’uma facada em pleno peito sem que a justiça nunca lograsse saber quem fora o assassino que lh’a vibrara”[26]. Afastado o rival, “ a rapariga, não vendo outro partido mais vantajoso, porque o João da Quinta tinha bastante de seu, dera logo a sua palavra ao rapaz e d’ahi a quatro mezes já elle podia chamal-a sua no arrebatamento da sua paixão dominadora e selvagem”[27]. A vida é por vezes madrasta. As terras do João da Quinta, o assassino, por mais trabalhadas que fossem, pouco produziam. Até o milho, que nascera viçoso, se perdeu para o fogo. E o lavrador, precocemente envelhecido, caído na pobreza e ensandecido pelo espectro do morto que lhe aparecia em cada vereda, pôs termo à vida.

Infanticida, publicado no verão de 1899, retomando o tema dos dois contos anteriores, colocava a ênfase na sedução e abandono. A filha de um mestre-escola, grávida e sozinha, ficou tingida pelo ferrete social de mãe solteira. O sedutor preferira contrair matrimónio com a filha de um brasileiro rico. A seduzida, pouco depois do parto e no dia do casamento do antigo amante, não só asfixiou o recém-nascido como atirou o cadáver da criança aos pés dos recém-casados. Gravemente doente, transferida da cadeia para onde fora atirada, a infanticida acabaria por morrer pouco depois na cama de um hospital.

“ […] Fugia, como um vilão ás suas responsabilidades e deixava-a a ella só, amarrada a esse filho sem pae, filho que era a sua vergonha e de quem ella seria mais tarde vergonha também! Abandonava-a […] por quem a abandonava? … por uma creatura feia, estúpida, sem valor nenhum […] mas era rica; e, por ser rica, enxote-se uma desgraçada para o lado […]. Não tinha mais que fazer senão resignar-se; ser como tantas outras uma mulher perdida; ver-se deitada ao desprezo, apontada a dedo nas ruas; uma creatura de quem todos se riem e de quem todos se arredam, não vá ella sujál-os com a lama da sua miséria! […] ”[28].

 

A ficção de Beatriz Pinheiro na Ave Azul, abarcando uma impressionante galeria de figuras femininas, possibilitou um conjunto de reflexões sobre a situação da mulher na viragem de oitocentos. Da viúva de marido vivo e desaparecido à menina que morreu de amor e ficou com o belo retrato preso num velho álbum de família[29], personagem do conto que abre a segunda série da revista, as mulheres surgiram como as grandes heroínas, mesmo quando a adversidade e o desespero as conduzia à morte.

Se em Através do Tempo[30], como o título indica, Beatriz Pinheiro fez uma peregrinação pelo conceito do amor como expiação, sacrifício e purificação, no conto da revista Junho de 1900, O obstáculo, a autora punha em diálogo o antigo emigrado por amor e o objecto amado, agora em estado de viuvez. Pinheiro dava assim voz a uma mulher viúva, ainda jovem, a explicar as razões do seu casamento. Ora, a primeira crónica marcadamente feminista partiu precisamente da contestação do estatuto do dote e do casamento como segurança e submissão patriarcal da mulher burguesa.

“ […] Amava-o eu, a esse que foi depois meu marido? Se então m’o perguntassem não saberia bem como responder! […] Muitas coisas nelle me desagradavam: o modo de andar e de vestir, de cumprimentar, de fallar: depois não tinha qualidades brilhantes: não fazia figura nas salas, não era político, não fazia carreira, e a fortuna que possuía era bastante modesta … Mas… amava-me muito […] tentou a minha vaidade e garridice! Nós outras, pobre mulheres, é a isso que nos habituam desde pequeninas, e ao fingimento e á submissão […]. Não tinha mais que fazer senão resignar-se; ser como tantas outras uma mulher perdida; ver-se deitada ao desprezo, apontada a dedo nas ruas; uma creatura de quem todos se riem e de quem todos se arredam, não vá ella sujál-os com a lama da sua miséria! […]”[31].

 

O último fascículo da Ave Azul, de Dezembro de 1900, trazia nas suas páginas o conto Vae soli![32]. Aqui Beatriz Pinheiro dava vida à órfã apaixonada pelo filho da sua protectora que a trocara por outra, mais nova, mais bela. Do casamento ruinoso nascera uma menina a quem a órfã, que quedou solteira, votava um amor incondicional, como se transferisse para a criança o afecto por uma filha que nunca poderia ter. A maternidade não estava ausente das preocupações da autora, também mãe, que defendia alterações na educação feminina para que as mulheres, quando mães, fossem melhores educadoras, transmitindo aos seus filhos valores de cidadania, para usar uma terminologia contemporânea.

Mas foi, efectivamente, nos textos de reflexão sobre a condição feminina, tão criticados e ao mesmo tempo aplaudidos, que Beatriz Pinheiro guindou a Ave Azul a primeira revista feminista publicada em Portugal. Chronica abria, então, o fascículo 8, de Agosto-Setembro de 1899. Partindo de um texto do Sully Prudhomme “La femme ao XX siecle”, publicado na Revue des Revues, em que o poeta francês lamentava que a mulher estivesse a perder o «seu encanto e beleza» para se aproximar do «tipo masculino», Beatriz Pinheiro aproveitava para trazer a lume o odiado estatuto do dote, abordado ficcionalmente em alguns dos seus contos. Constatava a autora que muitos homens fugiam do matrimónio com mulheres pobres, pois o dote que a futura esposa traria ao casamento permitir-lhes-ia «instalarem-se comodamente na vida», ou seja, fugirem ao trabalho. Perguntava-se, então, como sobreviveriam as pobres raparigas pobres, sem dote e sem marido.

“O seu recurso será o benefício dos parentes ou um trabalho ingrato que lhes dará, quando muito, para morrerem de fome, a menos que estendam a mão à caridade pública, ou se vendam talvez a esses mesmos que, tendo-se vendido por sua vez, já arranjaram ouro sufficiente para as comprar”[33].

 

Ao sustento por caridade, ao trabalho pouco digno e mal pago ou ao caminho da prostituição, à «exploração da mulher pelo homem», a revoltada Beatriz Pinheiro propunha um verdadeiro programa de luta feminista:

“que reivindiquem os seus direitos, que façam por conquistar a egualdade civil e política, que sejam nos bancos das Escolas as dignas rivais do mais intelligentes e dos mais estudiosos, e se façam, enfim, médicos, advogados, engenheiros, empregados públicos, tudo – em vez de objectos de luxo ou instrumentos de prazer, seres conscientes e instrumentos de trabalho – numa concorrência leal e decidida com ele, com o inimigo[34], para a conquista do pão de cada dia”[35].

 

Pressupondo as acusações de que viria a ser vítima, Pinheiro afirmava que não pretendia a inversão da sociedade, mas sim o progresso da mulher.

“Que a mulher progrida sempre, que por todos os meios justos ao seu alcance faça por se tornar igual ao homem, para d’uma vez para sempre, acabar esta pretendida superioridade do com o macho[36], e ella deixar emfim de ser a misera escrava emparedada e manietada, o ser secundário, ínfimo, que ora está sendo”[37].

 

Consciente de que as suas propostas iam, contudo, contra a mentalidade vigente, defendia uma outra educação masculina, para que o homem “todos elles já não fujam de escolher esposa e a escolham d’entre as mais dignas, acabando d’uma vez para sempre o malfadado engodo do dote”[38]. A crónica terminava com um apelo a todas as mulheres para que nunca desistissem de lutar pelos seus direitos, assumindo o papel de revoltadas, “sempre bem melhor do que esse tristíssimo papel de ser aviltado e escravisado que neste drama da vida se vê presentemente forçada a desempenhar”[39] .

O fascículo de Outubro de 1899 iniciava-se com mais uma Chronica da autoria de Beatriz Pinheiro, em que deambulava entre dois temas que lhe eram muito caros – feminismo e pacifismo. Numa análise ético-moral, dissertava, então, sobre a «grande ideia» que brotara do século XIX – a Paz Universal, ou seja, “ a aspiração do Bem, da Felicidade, a aspiração do único, do definitivo, do verdadeiro progresso sobre a Terra”[40]. À juventude da autora e ao feminismo assumido juntava-se o optimismo caldeado na crença positivista no progresso como motor social, de onde as mulheres, pelo seu «ardor inexcedível», nunca poderiam ser arredadas antes transfiguradas em arautos do combate ao militarismo e na defesa da arbitragem como forma de resolução do conflito entre as nações. Indo mais longe, Pinheiro, bem na calha dos socialistas europeus, sustentava até um desejo internacionalista – a comunidade das nações, “fraternizadas numa comunhão perfeita de interesses, de ideias, de sentimentos”[41]. Para a autora, como para tantos outros pacifistas e revolucionários de fim de século, o único combate possível arraigava na “Guerra contra a Guerra[42] – a única guerra já agora admissível para quantos sobre o caso reflictam livres de preconceitos absurdos”.[43]

Não fora por acaso que Beatriz Pinheiro escrevera a Chronica do fascículo de Outubro de 1899. Tinha o propósito de publicitar a fundação, em Portugal, da Liga Portuguesa da Paz, a 18 de Maio daquele ano, por iniciativa de Alice Pestana. A esta associação pacifista, os directores da Ave Azul não ficaram indiferentes, bem pelo contrário. Beatriz Pinheiro aderiu de imediato à causa, tendo-se tornado correspondente e delegada da Liga no distrito de Viseu. Por seu turno, nos fascículos 11 (Novembro) e 12 (Dezembro) de 1899 foram publicados dois textos intitulados Liga Portuguesa da Paz. Em Novembro, na Ave Azul, era transcrito um logo artigo, publicado no jornal O Século, sobre os objectivos das Ligas da Paz, com destaque para a portuguesa. No texto de Dezembro eram não só divulgados o Programa e os Estatutos da Liga, como o casal Pinheiro-Lemos assumiam a militância activa em prol da Paz. E aproveitando o número do Natal, Beatriz Pinheiro criticava acerrimamente o conflito bélico no Transval, contrapondo a época festiva ao horror da guerra, essa

“blasphemia sangrenta… Echo medonho: visão d’estarrecer povorosíssima […]. E para quê tudo isto? Para quê? Para a realisação d’algum alto ideal que erga a Humanidade até Deus? Ou, ao menos, para effectuar sobre a terra algum melhoramente social? Nâo: nda disso. Simplesmente para satisfazer as cubiças de meia dusia de desnaturados: cubiças hipocritamente disfarçadas sob a mascara do mais refalsado dos altruísmos”[44].

 

Entendendo as mulheres como artífices da paz, a autora defendia o seu papel primordial na educação das novas gerações. Só ela, a mulher, mãe e militante, podia educar para a paz.

Reacções negativas não se fizeram esperar. Assim, o fascículo 11 de Novembro de 1899 abria com uma outra crónica, em que, ao procurar defender-se das acusações que lhe tinham sido imputadas, não só propugnava pelos direitos inalienáveis das mulheres como defendia o feminismo. Tendo como ponto de partida o libelo acusatório ao estatuto do dote, comentava sarcasticamente:

“Não fiz feminismo[45]essa coisa terrível que atemorisa ainda muita gente por lhe não conhecer, ou por não queres conhecer, bem todo seu alcance […]; fiz humanitarismo simplesmente […]. É nisto – em libertar, em independentar pelo trabalho os milhões de deserdadas a quem nenhum homem lealmente offereça o seu braço para apoio nas luctas da vida – e se resume afinal todo o feminismo bem entendido e sensatamente esclarecido. Uma questão de pão e uma questão de dignidade[46]: libertá-las da fome e libertá-las da ignomínia”[47].

 

Depois de conceptualizar o “seu” feminismo, Beatriz Pinheiro levantava uma série de pertinentes questões, ligadas à honradez e ao desempenho de tarefas devidamente remuneradas, sustentando o direito ao trabalho e a emancipação feminina. Atacava, ainda, as correntes anti-feministas que ligavam a emancipação à masculinização da mulher e a inversão dos tradicionais papéis de género. Contra estes, afirmava que o feminismo pretendia

“pôr a mulher em condições de viver dignamente na sociedade, por meio do seu trabalho, sem precisar de homem que a mantenha [para poder ir] para o casamento livremente, conscientemente, deixando este de ser para ela o meio de obter o pão, uma posição, um arrumo”[48].

 

Mas Beatriz Pinheiro, que não ideava o homem como seu inimigo, considerando-o antes como um parceiro, ia mais longe, exigindo a reformulação do modelo de educação masculino, para que homem e mulher não se hostilizassem, antes fossem parceiros. Na Chronica do primeiro número de 1900, ao discorrer sobre a Paz entre os povos e nações como fautor de progresso, ligava-a também à emancipação feminina. Considerava que, de mãos dadas – paz e emancipação da mulher – contribuiriam para que a humanidade se civilizasse.

“Em verdade, nunca poderá ser civilisada a sociedade em que a mulher se conserve o que ora é […] – um ser inconsciente e aviltado: inconsciência derivada da sua ignorância, e aviltamento originado na miséria e na dependencia em que se encontra”[49].

 

O fascículo 1-2 de 1900 divulgava também a primeira das conferências «propagadoras da pacificação universal», uma iniciativa da Liga Portuguesa da Paz. Realizada a 3 de Fevereiro, na Sociedade de Geografia, em Lisboa, nela ousa da palavra Magalhães de Lima, com que os directores da Ave Azul trocavam correspondência.

Com o mesmo título, «A emancipação da mulher», Pinheiro publicou dois artigos nos fascículos 4 (Abril) e 6 (Junho) de 1900. No primeiro, ao discorrer sobre o trabalho e a instrução femininos, defendia não só o modelo da coeducação, como criticava o paradigma educativo da mulher burguesa, “educada para a sala, para a corte [50], para o galanteio, para o casamento […]”[51]. Defensora do direito ao trabalho, sustentava a necessidade da abertura de novas áreas à mão-de-obra feminina – os «ofícios», as artes, as letras, as ciências -, mas ainda, não só uma outra organização laboral, como reivindicava a equidade remuneratória.

A questão da maternidade foi, mais uma vez, objecto de reflexão, uma vez que a argumentação corrente alegava que o exercício de uma profissão afastava a mulher do lar, do marido e dos filhos. Pinheiro, porque baseava a sociedade do futuro na equidade de géneros, contra-argumentava com a tese de que a formação e a procura de trabalho compatível afastavam menos a mulher do lar do que a frivolidade daquelas que denominava por «mulheres ociosas». Se, relativamente ao progresso da sociedade Beatriz Pinheiro era de um optimismo contagiante, o mesmo não se podia dizer quanto ao pensamento dominante, em particular à educação feminina, onde o estudo científico não cabia. Mas não se ficava por aqui e atirava-se à qualidade do ensino masculino, sugerindo a sua reforma.

Ao defender a coeducação ao longo de todo o percurso escolar, Beatriz Pinheiro propunha uma alteração no paradigma educativo e uma outra relação entre os géneros, dando como exemplo a sua experiência.

 

“Para todos eles[52] fui um camarada, um companheiro, um amigo, um condiscípulo que os auxiliava por vezes e que por vezes auxiliavam; nada mais. Não era uma mulher: era um estudante. [A coeducação] não só acabaria com esse constrangimento, essa indiferença, quando não essa hostilidade entre eles [mas] estabelecer-se-ia entre o homem e a mulher essa atmosfera de confiança, de respeito, de estima que tanto seria de desejar. O homem habituar-se-ia a ver na mulher não só a sua futura companheira do lar, mas também a sua actual camarada”[53].

 

No artigo publicado em Junho de 1900, Beatriz Pinheiro, aproveitando para divulgar o Congresso Internacional sobre a condição e os direitos das mulheres, que se realizaria em Paris, em Setembro daquele ano, chamava a atenção para os temas que seriam objecto de debate[54]. Virando-se para dentro, incitava as suas leitoras a lerem, analisarem e meditarem o programa em causa, de modo a que as discussões da capital francesa pudessem servir de exemplo à luta das mulheres portuguesas. Não se ficando pela divulgação, mais uma vez desferiu uma crítica contundente ao modelo vigente da educação feminina, “puramente decorativa para armar ao efeito simplesmente brilhante na aparência e no fundo lamentavelmente vazia e oca”. Considerava, portanto, inútil o que era ensinado às «meninas», um pouco de francês, algum inglês ou alemão, música, vagas noções de história e geografia, bordados, “dum mau gosto que toca as raias do absurdo e do fantástico”[55]. Aceitando modelo educativo para um grupo social muito restrito – a elite -, contestava o seu mimetismo a outros grupos sociais, concluindo mordazmente: “não é a instrução que desnorteia a mulher, mas a qualidade de instrução e […] a intenção deploravelmente frívola com que lhe é ministrada”[56].

Beatriz Pinheiro procurou ainda desfazer uma série de preconceitos ideológicos: a inaptidão da mulher na execução de tarefas que exigiam persistência, perseverança e responsabilidade; a incapacidade de um pensamento racional feminino; a dedicação, a renúncia e a obediência como destino fatal de toda a mulher. Contra este fatalismo que exaltando a mulher, de facto, a diminuía, Beatriz Pinheiro propunha uma resistência activa.

“Provar-lhes que sabemos trabalhar e sobretudo que sabemos aprender a trabalhar […] provar-lhes enfim que o nosso espírito também sabe prender-se interessar-se, apaixonar-se por alguma coisa mais sério que todas essas encantadoras bagatelas”[57].

 

O artigo terminava em esperança.

“As palavras de aprovação e animação que tenho recebido de muitas senhoras […] fazem-me acalentar a esperança de que a mulher portuguesa há-de acordar em breve para as reivindicações, direitos, enfileirando […] no movimento que por toda a Europa se está operando e de que é prova mais que suficiente o próximo Congresso Internacional de Paris”[58].

 

Na última Chronica [59]que assina na Ave Azul, Beatriz Pinheiro, numa vertente bem mais literária do que propagandista e polemista, vagueou por entre as mulheres que, ao longo da História, ao escaparem do nível das musas, alcançaram o patamar de «fazedoras» de arte.

Os textos feministas de Beatriz Pinheiro chegaram a casa de muitas e muitas mulheres que se identificaram neles. Uma delas foi precisamente Maria Veleda que, na Ave Azul, no fascículo 8/9 de Agosto-Setembro de 1900, fez publicar um artigo, denominado “A emancipação feminina”, em que afirmava:

“A educação da mulher é uma necessidade imperiosíssima. Insistir neste ponto seria ociosidade, documentada como tal necessidade tem sido por escriptores de notável talento. Cito a propósito o sympathico nome de Beatriz Pinheiro, cuja attrahente propaganda, acompanhada de exemplos prestigiosos e provas induvidáveis, nos assombra pela minuciosidade cuidadíssima dos pormenores, exactidão de datas, – tudo emfim, quan to se deve impor aos mais refratários á sua doutrina – como uma verdade universal”[60].

 

Em Dezembro de 1900 era publicado o derradeiro número da Ave Azul. Os seus directores, numa crónica a duas mãos, faziam a avaliação do trabalho de dois anos.

“A colaboração feminina, diminuta muito embora, foi honrosíssima […]. Pugnou o melhor que soube e pôde, pela emancipação da mulher, ou seja: pela sua instrução e educação, de forma a ela se tornar, como deve ser […] verdadeira mãe, portanto – conselheira e guia de futuras gerações; e pela pacificação universal, alvo a que deviam tender todos os esforços de quantos os olhos põem mais além do que o triste dia de hoje”[61].

 

Injustamente esquecida, nomeadamente na cidade que a viu nascer, crescer e despontar para o feminismo que tão denodadamente defendeu e militou, onde o seu nome nem direito a uma pequena lápide teve, Beatriz Pinheiro merece ser lembrada e os seus textos lidos, comentados e analisados.

 

Bibliografia

Ave Azul, Viseu, 1899 e 1900. Hemeroteca digital. Lisboa

ESTEVES, João, Beatriz da Conceição Paes Pinheiro de Lemos, disponível em http://silenciosememorias.blogspot.pt. Acesso em 12 de Setembro de 2014.

LIZ, Humberto, D. Beatriz Pinheiro de Lemos III, Jornal do Centro, Viseu, ano 8, nº374, 33, 15 de Maio, 2009

SILVEIRA, A. Bata preta, cinto vermelho e gola branca, Tese (Mestrado em História da Educação) – Faculdade de Letras, Universidade do Porto, Portugal. 2005.

SILVEIRA, A. O pensamento feminista de Beatriz Pinheiro a partir da revista viseense Ave Azul (1899/1900), in II Congresso República e Republicanismo, 2104, Lisboa.

SILVEIRA, A. De pacifista a defensora da Guerra. O percurso singular de Beatriz Pinheiro, in Congresso Internacional As mulheres e as Guerras no mundo, 2106, Lisboa.

VENTURA, A. Silêncio e virtude: uma História da Maçonaria Feminina em Portugal, Temas e Debates/Círculo de Leitores, Lisboa, 2016.

SOUSA, Martim de Gouveia e Beatriz Pinheiro e o direito das mulheres, disponível em http://aveazul.blogspot.pt. Acesso em 1 de Agosto de 2017.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

[1] “Quem conhece o nosso meio sabe bem quanto é diffícil ganhar pela penna o indispensável para viver parcamente, mesmo aos que da penna fazem offício, quanto mais a quem da penna faz simplesmente distracção innocentíssima das poucas horas que o cumprimento […] das suas obrigações officiaes lhe deixa vagas no dia ”, (LEMOS, Carlos de, s/ título, Ave Azul, Viseu, série 1, fascículo 1, 1-5, Janeiro, 1899).

[2] Em itálico no original.

[3] Em itálico no original.

[4] LEMOS, Carlos de, s/ título, Ave Azul, Viseu, série 1, fascículo 1, 1-5, Janeiro, 1899.

[5] O enjeitado (série 1, fascículo 1, 15 de Janeiro de 1899, p15-22); A espera (série 1, fascículo 3, 15 de Março de 1899, p109-112); A Maria Corcunda (série 1, fascículo 6, 15 de Junho de 1899, p253-268); O crime (série 1, fascículo 7, 15 de Julho de 1899, p292-297); Infanticida (série 1, fascículo 8/9, 15 de Agosto-Setembro de 1899, p 364-380); Duas Almas (série 2, fascículo 1/2, 25 de Fevereiro de 1900, p 29-36); Através dos tempos (série 2, fascículo 5, Maio de 1900, p 271-276); O obstáculo (série 2, fascículo 6, Junho de 1900, p 353-359); Vae Soli (série 2, fascículo 12, Dezembro de 1900, p 693-703).

[6] Série 1, fascículos 1 (p 23-32), 2 (p 69-79), 3 (p113-121) e 4 (p156-163)

[7] Poema em memória do Dr. Simão Dias II (série 1, fascículo 4, 15 de Abril de 1899, p146); Psyche (série 1, fascículo 5, 15 de Maio de 1899, p 199-201); Os três cavaleiros (série 1, fascículo 8/9, 15 Agosto-Setembro de 1899, p 381-385); Oração (enquanto o meu filho dorme) (série 1, fascículo 11, 15 de Dezembro de 1899, p. 519-521); Folhas d’um Álbum (série 2, fascículo 4, Abril de 1900, p 192-193); Chrysalida (série 2, fascículo 6, Junho de 1900, p360-361). Foi ainda publicada uma tradução italiana do poema, Oração (enquanto o meu filho dorme, intitulado Preghiera (série 2, fascículo 12, Dezembro de 1900, p 682- 683).

[8] Série 1, fascículo 2, 15 de Fevereiro de 1899, p 80-85

[9] Série 1, fascículo 5, 15 de Maio de 1899, p 210-214

[10] Série 1, fascículos 8/9, 15 de Agosto-Setembro de 1899, p 433-44, 10, 15 de Outubro de 1899, p 433-441, 11, 15 de Novembro de 1899, p 497-506; Série 2, fascículos 1/2, 25 de Fevereiro de 1900, p 1-11, 6, Junho de 1900, p 305-313.

[11] Série 2, fascículo 12, Dezembro de 1900, p 657- 660

[12] Série 1, fascículo 6, 15 de Junho de 1899, p 239-244

[13] Série 1, fascículo 12, 15 de Dezembro 1899, p 564-568

[14] Série 1, fascículo 12, 15 de Dezembro 1899, p 569-570

[15] Série 2, fascículo 1/2, 25 de Fevereiro 1900, p 55-59

[16] Chronica I (série 1, fascículo 8/9, 15 de Agosto-Setembro 1899, p 321-327); Chronica II (série 1, fascículo 10, 15 de Outubro 1899, p 433-441); Chronica III (série 1, fascículo11, 15 de Novembro 1899, p 497-506); Chronica IV (série 2, fascículo 1/2, 25 de Fevereiro 1900, p 1-11); Chronica V (série 2, fascículo 6, Junho 1900, p 305-313).

[17] A emancipação feminina I (série 2, fascículo 4, Abril 1900, p 197-222); A emancipação feminina II (série 2, fascículo 6, Junho 1900, p 390-400).

[18] LEMOS, Carlos de, A emancipação da mulher (análise crítica de um artigo do reverendo padre Senna Freitas, Ave Azul, Viseu, série 1, fascículo 10, 470-493, Outubro, 1899); LEMOS, Carlos de, A emancipação da mulher (ainda o artigo do reverendo padre Senna Freitas, Ave Azul, Viseu, série 1, fascículo 11, 522-526, Novembro, 1899); LEMOS, Carlos de, Emancipação da mulher, Ave Azul, Viseu, série 2, fascículo 1/2, 75-87, Fevereiro, 1900).

[19]  O fascículo 7, da série 2 não aparece no acervo da Hemeroteca Digital portuguesa, onde pode ser consultada a revista Ave Azul.

[20] Cf. Assento do baptismo de Beatriz Pinheiro in Arquivo Distrital de Viseu, cx. 31, nº75, fl. 141

[21] Carlos de Lemos era o pseudónimo de António Cardoso de Lemos natural de Lalim, concelho de Tarouca, onde nasceu a 3 de Janeiro de 1867. Formado em Direito pela Universidade de Coimbra, foi professor do liceal, tendo leccionado em Viseu. Republicano, maçon, humanista e, como escreveu na revista Ave Azul, feminista, foi Presidente da Comissão Municipal Republicana viseense. Perseguido pelas suas convicções políticas, abandona a cidade beirã, tendo terminado a sua carreira docente como professor no Liceu Passos Manuel, em Lisboa. Viúvo aos55 anos veio a morrer na capital portuguesa, em 1954, com a veneranda idade de 87 anos.

[22] Em 1909, com a saída do casal Lemos para Lisboa, a escola encerrou.

[23] Livro de actas da Câmara Municipal de Viseu, 26 de Abril a 24 de Novembro 1923, Biblioteca Municipal D. Miguel da Silva, Viseu, Portugal

[24] PINHEIRO, Beatriz. O enjeitado, Ave Azul, Viseu, série 1, fascículo 1, 15-22, Janeiro, 1899.

[25] PINHEIRO, Beatriz. A espera, Ave Azul, Viseu, série 1, fascículo 3, 109-112, Março, 1899.

[26] PINHEIRO, Beatriz. O crime, Ave Azul, Viseu, série 1, fascículo 7, 292-297, Julho, 1899.

[27] Idem

[28] PINHEIRO, Beatriz. Infanticida, Ave Azul, Viseu, série 1, fascículo 8/9, 364-380, Agosto-Setembro, 1899.

[29] PINHEIRO, Beatriz. Duas Almas, Ave Azul, Viseu, série 2, fascículo 1/2, 29-36, Fevereiro, 1900.

[30] PINHEIRO, Beatriz. Através do tempo, Ave Azul, Viseu, série 2, fascículo 5, 271-276, Maio, 1900.

[31] PINHEIRO, Beatriz. Obstáculo, Ave Azul, Viseu, série 2, fascículo 6, 353-359, Junho, 1900.

[32] PINHEIRO, Beatriz. Vae Soli! Ave Azul, Viseu, série 2, fascículo 12, 693-703, Dezembro, 1900.

[33] PINHEIRO, Beatriz. Chronica, Ave Azul, Viseu, série 1, fascículo 8/9, 321-327, Agosto-Setembro, 1899

[34] Em itálico no original

[35] PINHEIRO, Beatriz. Chronica, Ave Azul, Viseu, série 1, fascículo 8/9, 321-327, Agosto-Setembro, 1899

[36] Em itálico no original

[37] PINHEIRO, Beatriz. Chronica, Ave Azul, Viseu, série 1, fascículo 8/9, 321-327, Agosto-Setembro, 1899

[38] Idem

[39] Ibidem

[40] PINHEIRO, Beatriz. Chronica, Ave Azul, Viseu, série 1, fascículo 10,433-441, Outubro 1899.

[41] PINHEIRO, Beatriz. Chronica, Ave Azul, Viseu, série 1, fascículo 10,433-441, Outubro 1899.

[42] Em itálico no original.

[43] PINHEIRO, Beatriz. Chronica, Ave Azul, Viseu, série 1, fascículo 10,433-441, Outubro 1899

[44] PINHEIRO, Beatriz. Chronica, Ave Azul, Viseu, série 1, fascículo 8/9, 321-327, Agosto-Setembro, 1899

[45]Em itálico no original.

[46] Em itálico no original.

[47]PINHEIRO, Beatriz. Chronica, Ave Azul, Viseu, série 1, fascículo 11, 497-506, Novembro, 1899

[48] Idem.

[49] PINHEIRO, Beatriz. Chronica, Ave Azul, Viseu, série 2, fascículo 1/2, 1-11, Fevereiro, 1900

[50]Em itálico no original.

[51] PINHEIRO, Beatriz. A emancipação da mulher, Ave Azul, Viseu, série 2, fascículo 4, 197-222, Abril, 1900.

[52] Referia-se aos colegas de Liceu a quem tratava por camaradas.

[53]PINHEIRO, Beatriz. A emancipação da mulher, Ave Azul, Viseu, série 2, fascículo 4, 197-222, Abril, 1900.

[54]Dividido em três painéis, no Congresso de Paris debateram-se questões como o salário feminino, a duração da jornada de trabalho ou abolição da prostituição, a reforma das leis de família e a igualdade direitos civis e políticos.

[55]PINHEIRO, Beatriz. A emancipação da mulher, Ave Azul, Viseu, série 2, fascículo 6, 390-400, Junho, 1900.

[56] Idem

[57]PINHEIRO, Beatriz. A emancipação da mulher, Ave Azul, Viseu, série 2, fascículo 6, 390-400, Junho, 1900.

[58] Idem

[59] PINHEIRO, Beatriz. Chronica, Ave Azul, Viseu, série 2, fascículo 6, 390-400, Junho, 1900.

[60] VELEDA, Maria. A emancipação feminina, Ave Azul, Viseu, série 2, fascículo 8/9, 449-452, Agosto-Setembro, 1900.

[61] PINHEIRO, Beatriz e LEMOS, Carlos de. Chronica, Ave Azul, Viseu, série 2, fascículo 12, 657-660, Dezembro, 1900.

 

Foi professora do 2º ciclo do ensino básico, leccionando HGP. É licenciada em História, Mestre em Historia da Educação e Doutorada em História pela UP. Como investigadora, integra o Instituto de História Contemporânea da FCSH/UNL.

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