O milenar apelo do sexo

por PN | 2019.10.11 - 10:53

Há episódios da vida que não nos deixam dúvidas sobre a importância do amor, da amizade, do sexo…

Vou-vos dar testemunho de quanto e como este último é capaz de pôr em causa uma vivência cómoda e dúctil, para seguir cegamente os frementes ímpetos do desenfreado desejo.

Ela deixou um lar onde vivia serena e feliz com a sua jovem filha de pai incógnito, apaparicada, rodeada de todas as comodidades, atenções e mordomias. Um lar calmo, remansoso, onde a vida fluía como um riacho preguiçoso a deslizar para a foz.

É difícil perceber que se possa pôr em causa uma existência assim, por tantos invejada. Mais sendo causador de alguma perplexidade o acto de abandonar, de virar costa, a uma inocente filha de um ano.

O amor, a paixão, nos anais da História, tem-nos dado muitos exemplos destes:

Romeu e Julieta; Abelardo e Eloísa; Pedro e Inês; Eduardo VIII e Wally Simpson; Frida Kahlo e Diego Rivera; Bonnie & Clyde; Simone de Beauvoir e Jean Paul Sartre…

Mas o sexo???

Pois foi, neste presente caso nem sequer houve paixão ou amor. Nem de cego enamoramento se tratou. Aqui foi o corpo que rugiu e deixou sair os seus mais súcubos demónios.

A minha gata – Gata de seu nome – ex-vadia de sua condição, fugiu ontem por uma impossível fresta de uma janela, num contorcionismo que só nos políticos tem igual, rendida ao apelo exigente, premente e iniludível do cio.

Dantes, nos conventos femininos, além das inexpugnáveis portas, havia grossas grades nas janelas e parlatórios e altas cercas nos quintais. Todavia… quando andam faunos nos bosques e no ar volitam os eflúvios ardentes do desejo, não há prisão que as contenha.

Paulo Neto