O milagre da Vida…

por Joana Gomes | 2018.04.02 - 11:53

 

 

Ontem foi dia de Páscoa. E dia das mentiras, curiosamente! Foi domingo, um domingo de sol, comeu-se pão-de-ló – mais do que na verdade a dieta haveria de permitir – e esteve-se em família.

A maior parte das pessoas não dá à Páscoa o crédito que dá ao Natal. Nem sequer a trata com o mesmo amor e carinho. Para mim, no entanto, a Páscoa chega sempre cheia de significado. Muito em parte por pertencer à primavera.

Convenhamos que a Páscoa vem sempre associada a uma certa ressurreição, mesmo para quem não acredita na existência de um Deus. Toda a natureza começa a renascer das cinzas que nem uma fénix nesta altura do ano, o que nos dá uma nova energia para sair da cama todas as manhãs.

Começamos a tomar café em esplanadas, depois do almoço, com os nossos amigos, mudando a cadeira consoante o sol se vai movendo, que nem um autêntico girassol. Preferimos ir correr ao ar livre a ir bater uma perninha ao ginásio. Trocamos o chocolate quente pelo novo gelado da Olá e os casacos grandes e pesados começam a ficar perdidos no armário de inverno, mesmo que ainda faça frio ou que “em abril águas mil”. É que a nossa motivação também já começa a ser outra, como se nós próprios também estivéssemos a reinventar-nos a cada primavera e, como tal, nem o frio nos mete medo. Além disso, quase já nem nos lembramos de como Janeiro foi um mês difícil. Aliás, quase começamos a acreditar que com jeitinho lá conseguiremos juntar uns trocos para ir de férias em Agosto. E quando damos conta conseguimos mesmo.

Parece que depois da Páscoa começa a acontecer o milagre da vida: tudo se nos apresenta muito mais…como hei-de dizer…muito mais possível! E é, de facto, este leve aroma a possibilidade que na realidade a faz acontecer. Este cheirinho a “yes we can” (desculpa Obama, mas teve que ser), que se assemelha muito ao cheiro que fica no ar quando o pão acaba de sair do forno, que nos dá a motivação necessária para correr atrás do que desejamos para nós. Coisa que nas frias semanas de inverno nos pareceu sempre tão longínquo.

E é, maioritariamente, por isto que adoro a Páscoa. Por este ponto de viragem maravilhoso que nos desperta de um sono cinzento com um estalar de dedos, mesmo que, na verdade, tenhamos acordado hoje com um dia chuvoso.