O mais que tudo amado telemóvel

por Romira Jamba | 2018.07.05 - 11:26

 

 

Hoje, de manhã bem cedo, antes de uma reunião de programação dos assuntos para esta quinta-feira, entrei no simpático café do bairro sossegado onde vivo. Aproximadamente umas três dezenas de clientes, sentados e de pé, tomavam o pequeno-almoço, bebiam a bica, liam o vespertino. Nem um único estava sem telemóvel na mão ou no ouvido. Apenas as duas simpáticas empregadas, e mesmo essas, o tinham, numa prateleira ao alcance da mão e da vista.

Apanhei o metro. Não vi ninguém sem o telemóvel, à frente dos olhos ou colado ao ouvido.

No jardim de acesso ao edifício onde trabalho, três adolescentes heterofotografavam-se. No elevador, um colega que conheço superficialmente, pois é de outra área que não a minha, enquanto subia do rés-do-chão ao 11º andar, tirou uma meia dúzia de selfies, estilo autorretrato que despachou via Messenger para outros tantos destinatários.

Por já ter “perdido” várias vezes o carro em parques de estacionamento subterrâneos, comecei a seguir o avisado conselho de uma colega ainda mais distraído que eu: fotografar sempre uma coluna com o lugar (letra e número) e o piso. Remédio eficaz.

O editor desta plataforma contou-me que uma vez foi de Viseu a Lisboa para uma reunião importante com pessoas que só conhecia pelos contactos prévios estabelecidos via email e por telemóvel. Parou na estação de serviço de Leiria para a “bica”, constatou que não tinha consigo o telemóvel, deixado ficar esquecido, com a pressa, em casa. Compreendeu que não iria fazer nada a Lisboa, pois tinha ficado de contactar as pessoas assim chegasse…

Voltou atrás, telefonou de Viseu quando já devia estar em Lisboa. Apresentou mil desculpas. Todos compreenderam. A todos já tinha sucedido episódio igual.

O meu telemóvel tem mais ou menos 6x12x1 cm… Como é que uma coisa tão diminuta interfere tanto e domina tão completamente as nossas vidas?

Ouvi algures que vai sair uma norma impeditiva dos alunos levarem os telemóveis para as Escolas.Com a qual concordo plenamente.

Preparemo-nos para um novo 1755…