O IP3, as prioridades de Costa e a “raiva” de Almeida Henriques

por PN | 2018.07.04 - 10:10

 

 

 

 

António Costa lançou a empreitada para a reabilitação do IP3 no dia 2 de Julho. Arranca em 2019 a fase entre Penacova e Lagoa Azul, uma das partes mais críticas desta via. Vamos todos fazer figas de que esta obra se torne uma realidade.

Os 75 kms do IP3 requalificado estão orçados em 134 milhões de euros. O primeiro-Ministro realçou a importância da obra para a região e seu potencial para a internacionalização; para salvar vidas; para criar uma estrada segura.

Mas disse mais, em reverso da medalha: “É preciso termos em conta que, quando decidimos fazer esta obra, significa que estamos, simultaneamente, a decidir não fazer outra obra“,  “Quando estamos a decidir fazer esta obra, estamos a decidir não fazer evoluções nas carreiras ou vencimentos”… de outro modo dito, o dinheiro não chega para investir nas carreiras profissionais e na actualização de salários.

De repente, toda a gente acha que é possível fazer tudo já e ao mesmo tempo.”, concluiu.

Ou seja, perante a realidade financeira do país, estabeleceram-se prioridades.

Estas prioridades subentendem a perduração do congelamento do tempo dos serviços dos professores, para os quais há muito pararam os relógios, diabolizados desde os tempos de má memória da ministra de Sócrates, Maria de Lurdes Rodrigues, no top 10 dos piores ministros da Educação de Portugal pós 25 de Abril e subentendem ainda o caos agravado nos hospitais, com a redução do tempo de serviço semanal dos enfermeiros, ao invés do aumento de salários e a maior dotação de profissionais no sector.

António Costa, perante a pressão pública e a realidade escandalosa do IP3 fez opções. Opções que servem todos os utentes desta via e os seus concelhos, mas “paralisam” a vida profissional noutras áreas.

É um dilema sem solução aparente pois, como diria o Compadre Zacarias, “dinheiro não é chuinga, logo… não estica!

Os autarcas de Coimbra, Penacova, Mangualde… mostraram a sua satisfação perante o passo dado. São socialistas, poderemos retorquir. Almeida Henriques, esse, no mais puro estilo politiqueiro, optou pela chacota, com um sorriso amarelo: “Esta é a quarta sessão de lançamento desta obra em que estou. Sendo isto no nó da Raiva, espero que eu não fique com a raiva de, mais uma vez, esta obra não avançar”.

Igual a si mesmo, o autarca do pouco ou nada feito na autarquia onde pontifica há quase meia dúzia de anos, devia guardar a sua “raivinha” para uma ponderada implosão de autocrítica, séria, sem chocalhos folclóricos, nem atoardas rasteiras.

Este homem, nas suas “graciosas” intervenções para o microfone, até para o PSD se tornou um pesado ónus… e vai a procissão no adro.

 

(Foto DR)