O ego da vanguarda popular

por Fernando Figueiredo | 2014.05.01 - 15:56

José Carreira, de novo, brinda-nos com um texto à José Carreira. O que fazer? Rir e desmascarar o compadrio travestido de defesa do interesse popular.   José Carreira, nunca resiste a mostrar que leu (a vanguarda popular é assim) e começa por uma citação, que fica sempre bem, para logo depois confundir os conceitos. Mas é raro alguém confundir, com tanta competência, ironia e humor com irritabilidade ou revolta. Não está ao alcance de qualquer um, mas Carreira entende que qualquer comentário numa rede social é um míssil contra o seu palácio e dos seus amigos. José Carreira acha que todas as opiniões são válidas mas alerta, sem nunca dar nomes mas deixando subentendido (atitude de coragem), que algumas são pavlovianas e populistas precisamente porque não são a dele ou dos amigos, uma vanguarda popular que fala em nome do povo contra uma alegada elite. Esta alegada “elite” resume-se e particular a duas pessoas a saber Graça Canto Moniz, que escreveu um texto irónico mas eficaz sobre a Banalização da Arte, e a Miguel Fernandes que escreveu um texto irreverente mas eficaz obre a possibilidade de recusar a obra. Duas pessoas que, ao contrário de José Carreira, não precisam de ninguém para os mandar pensar, duas pessoas que, ao contrário de José Carreira, nos desafiam a cada linha que escrevem. Estes dois textos que se espalharam nas redes sociais locais são dois textos que Carreira e o ego da vanguarda popular não suportaram. São populares? Sim, na mesma medida em que os textos de Carreira são chatos. Na vontade de fazer a defesa de umbigo amigo José Carreira cai nos erros típicos de quem confunde interesse pessoal com interesse público. “Uma obra que nasceu da vontade e investimento populares”, afirma Carreira, o que me leva a concluir ou procura branquear a situação ou não sabe do que fala pois a edilidade Viseense suportou 18.949,46 € + IVA pela construção da base, custos aos quais temos de acrescentar a manutenção. Uma PPP em que o povo paga metade e a vanguarda popular dá o nome. O que dirá o povo disto?   Mais adiante: “O que diriam os críticos se a autarquia não autorizasse a colocação da estátua, caso a considerasse inestética ou desenquadrada?”, Pergunta Carreira, do alto da sua douta sabedoria. A Autarquia, que aposta e bem, numa candidatura a património mundial deve aceitar sem qualquer tipo de filtro tudo que lhe é oferecido? Pergunto eu, a resposta obviamente é não. Peça a peça estamos a destruir o legado arquitectónico que nos foi entregue, basta recordar a rotunda Carlos Lopes o célebre tríptico e outras obras arquitectónicas que vão polvilhando a cidade.   Ainda segundo Carreira, um socialista convertido “A comissão terá cometido um erro de palmatória, a saber, pensou “apenas” no povo”. Como sabemos os homens bons pensam apenas no povo. E qual foi a resposta do povo caro José Carreira? Foi a indiferença. O Povo não contribuiu directamenta para pagar desta nova PPP do ego, que contribuiu foi a tal vanguarda popular (meia dúzia de amigos seus). Pode confirmar isso junto dos nomes que vão aparecer junto à obra, são os nomes da vanguarda popular à qual está a fazer mais um frete (não se assuste, estou de volta à ironia que tanto lhe falha). Mas esta vanguarda popular  avançou com a nova PPP deixando uma portagem, de quase 19 mil euros mais manutenção, para o contribuinte, coisa pouca para os seus padrões (é ironia meu caro, não confunda com revolta).   Para finalizar relativamente à equipa de demolição, proponho que se contrate uma que não só leve a estátua como também quem fala em nome da vanguarda popular.
PS: Tanques no RI 14 e em todo o Exército só existem os de lavar a roupa, mas um doutorado não é obrigado a saber coisas menores.
Link ao texto da Graça Moniz: http://quadraturadase.com/gente-o-rei-vai-nu/

Link ao texto do Miguel Fernandes: http://www.ruadireita.pt/largo-do-pelourinho/carta-aberta-3828.html

Link ao texto de José Carreira: http://www.ruadireita.pt/largo-do-pelourinho/iraquianos-monitorizam-derrube-da-estatua-3867.html

Forjado na Beira Alta, aos 56 anos dá-se por bem casado e aprecia a companhia de três filhos, dois ainda na fase de espalhar magia a toda a hora; em família dá-se como feliz, apenas por o fazerem feliz. Como os duros estudou na Academia Militar, que não é para meninos e na época em que ainda se viajava de pé no comboio mas teve ainda tempo para queimar as pestanas em Gestão de Recursos Humanos. 36 anos “militarizado” vê-se agora na reforma a procurar ser “civilizado”. Em termos profissionais esteve no Iraque e voltou para contar, também esteve em Timor onde bebeu água de coco e visitou Jaco, erro fatal que lhe deixou o coração preso nas valorosas gentes timorenses e nas paisagens únicas do País que ajudou a ver nascer independente já no Séc XXI. Nos tempos livre actualiza o blog mais lido e odiado do delta do Dão, o Viseu Sra da Beira, e ainda escreve textos para jornais mas, poucos o lêem. Homem sem grande preocupação em fazer amigos, escreve o que entende sobre quem não consegue entender. Tais liberdades já lhe valeram um par de processos em tribunal, sem nunca se ter declarado Charlie. A genética deixou-o sem um único cabelo mas está careca de saber que os valores do trabalho, da honestidade e da amizade são o maior legado que o pai lhe deixou. Benfiquista moderado, gosta mesmo é de um bom jantar na companhia dos melhores amigos. Agora como empresário e homem de negócios só aceita de lucro o necessário para viver e distribuir por outros e de comissão a 100% a ética, a responsabilidade e o profissionalismo. É garantidamente mais bonito ao vivo que em foto.

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