O CDS e os outros: a desmemória humana

por PN | 2019.02.18 - 12:11

 

Uma das características dos dias actuais é a desmemória.

Ela impõe-se, compreenda-se, como uma defesa possível contra as catadupas de informação – tantas vezes meras “fake news” – que nos invadem e quase dominam se dela não nos protegermos.

Esta hiper informação duvidosa e consequente hipo assimilação debilitada, gera, por vezes, “a síndrome do cabeçalho”, artifício usado pelo leitor que já foi mais crítico e, devido a este incessante ataque das trombetas da informação, apaga por protecção e sistematicamente do disco rígido da memória o “lodo dos dias”.

Em consequência, os mais hábeis políticos da praceta, com os seus detectores de metais raros, que o mesmo é dizer, da oportunidade/oportunismo, logo dessa defesa ou protecção reverteram benefício. Assim, e na desmemória fundados, sabem que da mais atribiliária verdade ou cometimento, nada resta passados uns dias que a espuma efémera da volátil vaga.

Ao reler “Crónica, Saudade da Literatura” do portentoso Manuel António Pina (Ed. Assírio & Alvim, 2013), excelente compulsação das suas crónicas jornalísticas, ressurge-me esta do DN, 19/06/2007, com o título “GENTE FINA É OUTRA COISA” e que, com a devida vénia aqui deixo aos desmemoriados:

(Foto DR)