O autarca da Ribalta…

por PN | 2017.10.18 - 13:17

 

“Almeida Henriques temeu que o fogo entrasse em Viseu, capital do distrito que teve mais mortes nos incêndios de domingo. Presidente da Câmara fala de um cenário dantesco, relata retirada de pessoas que assim foram salvas…” Assim começa a entrevista dada por Almeida Henriques ao semanário “Expresso”…

Não demorou muito para que Almeida Henriques, que parece gostar mais de câmaras de filmar do que de “rancho à moda de Viseu”, aparecesse frente às “lentes” e a dar entrevistas por quanto porta mediática se lhe abria – ou lhe abria o vizo-Sobrado – para falar de fogos, ANPC, Governo, MAI, CODIS e etc. e tal.

Pelo meio, longe do fumo e do calor dos incêndios, ao abrigo do ar condicionado refrescante e decerto a cheirar a água de malvas, lá se foi queixando de A, B e C, aproveitando o ensejo para ser a alternativa poderosa a tudo e mais alguma coisa.

Um autarca destes é inestimável. Não tem preço. Mas tem oportunidade ou, segundo os mais cépticos, oportunismo. E foi talvez este oportunismo que o levou a fazer política rasteira e de projecção pessoal num momento de intensa angústia, aflição, calamidade, devastação e morte.

Ainda nem contabilizadas estavam as vítimas mortais, ainda nem apurados estavam os hectares ardidos, ainda tão pouco se tinha a noção dos danos e prejuízos e já Almeida Henriques fazia queixas do comandante da Protecção Civil e de todos quantos não lhe vão ao beija-mão deitar preces no regaço.

Este autarca é notável e faz-se notar. Nisso é ele um expert de 1ª água. Ele e o staff que o acolita e que lhe dita as macro linhas de actuação e de “show-off”. O “pai dos pobres”, como se autointitulou, não deixa de ser, contudo, o presidente da autarquia de Viseu sufragado democraticamento pelos seus munícipes. E mais, com um aumento do número de vereadores, o que quer dizer que os viseenses se revêm nele, na sua conduta e que lhe deram via verde para mais quatro anos de actuação, agora decerto amplamente ecoada e agravada pela ascenção do “mister maravilha”, o grande docente da universidade do Porto (?), Jorge Sobrado, o novo “Robespierre” da revolução viseense.

Vamos ver em que vai dar o pagode anunciado…