O assimétrico Brasil de Marielle…

por Jéssica Ferreira | 2018.03.16 - 17:02

Qualquer breve consulta nos diz que o Brasil é o maior país da América do Sul e da região da América Latina, sendo o quinto maior do mundo em área territorial (equivalente a 47% do território sul-americano) e sexto em população (com mais de 200 milhões de habitantes).

O seu presidente, não eleito, mas por impeachment de Dilma Rousseff, é Michel Temer. Foi vice de Dilma e um dos que apoiou o seu afastamento.

O Rio de Janeiro tem mais de 6 milhões de habitantes sendo a cidade onde maiores assimetrias sociais se presentificam. Poucos imensamente ricos e muitos imensamente pobres, poderia ser o seu ex-libris. Aqui, existe uma taxa brutal de violência urbana, contabilizando-se em média, 80 mortos por semana, em geral, vítimas de homicídio. De finais da década de 80 a 2000 foram mortas 50 mil pessoas no Rio de Janeiro. A polícia local é conhecida pela sua excessiva violência, tendo às suas costas 3,7 mortos por dia. O narcotráfico é a criminalidade que mais vítimas faz.

As favelas do Rio, em número de 763, albergam precariamente 1.393.314 habitantes de um total de 6.323.037. Ou seja, 22% da população vive marginalizada nesse tipo de guetos.

Favela ou bairro de lata “é um assentamento urbano informal densamente povoado caracterizado por moradias precárias e miséria.” Acrescentaríamos, droga, prostituição, violência, morte, repressão e subcondições humanas de existência.

Posto isto falemos do assassinato da vereadora Marielle Franco…

Marielle Franco, mulher, mãe, política, socióloga, defensora dos direitos humanos, da liberdade, activista, negra, lésbica, guerreira.  A 28 de fevereiro foi nomeada relatora da comissão do Rio de Janeiro.

Lutou pela representatividade feminina e contra a violência de género, pelos direitos das mulheres negras e as que moravam nas favelas.

A 10 de março denuncia a barbaridade da violência policial em Acari, uma violação constante dos direitos humanos.  E no dia 14 de março foi morta com 9 tiros no centro do Rio de Janeiro. 

O Brasil mostrou-nos da pior forma que, os que ousam, que arriscam, que dizem a verdade, que defendem causas, que vivem em prol da luta pela igualdade e dignidade da vida humana, que regressam a casa todos os dias exaustos de lutar por um mundo melhor, que a voz deste tipo de pessoas incomoda muitos, e a esta mulher, custou-lhe a vida…

“Paz sem voz não é paz, é medo”. A morte nunca abafou a voz de Marielle e a nossa também não.

 

Na próxima segunda-feira dia 19 de março pelas 18:00 horas, na praça Luís de Camões, em Lisboa, ocorrerá uma manifestação em homenagem a Marielle Franco.  

Participe

 

(Fotos DR)