NÓS POR CÁ TODOS BEM…

por Cílio Correia | 2017.03.22 - 18:33

 

Em Portugal, onde a Europa acaba e o mar começa vive um povo com a mania das grandezas, desde os Descobrimentos. Teimosos p’ra burro. Megalómanos. Disputamos taco a taco com os holandeses os mercados. E ganhamos. Pelos vistos ficou algum recalcamento. Nas coisas da História já tivemos um Fukuyama, qual “roque santeiro”, a anunciar o “fim da História”. Não se safou. No que nos toca ainda por cá andamos a fazer figas e caretas.

No baile de máscaras em que se transformou a União Europeia, caíram algumas. O populismo, a xenofobia, o preconceito, o machismo e o sexismo parecem andar à solta nos corredores de Bruxelas. Nada o fazia prever. Tal só pode ser um retrocesso civilizacional ditado pelos “populismos”, a pedir meças aos mais recalcitrados. Já nos quiseram cortar as unhas dos pés rentes ao sabugo, enfim, deixamos de furar as meias. Restam umas cagadelas de moscas nos para-brisas… Agora, perdi-me!…

Ah!, já me lembro… Confirma-se não haver almoços gratuitos em Amesterdão, nem “red lights”… Nós, povos do sul, mestres da perfídia, nem bola de trapos podemos jogar. Aliás, só podemos exportar treinadores e jogadores de futebol às pazadas, sem mé nem meio mé… Os herdeiros do calvinismo viram-se em papos de aranha, não se deram com o hálito a alho e cebola dos navegadores portugueses…

Talvez não lhes tenham dito que, apesar de depenados, somos bons de bola. Ainda há pouco fomos campeões da Europa em futebol, do Mundo em futebol de praia e da Europa no triplo salto. Ora toma!… Calor, praias, areia, são a nossa perdição. A malta do Sul não atina mesmo.

Bem podemos dizer a Bruxelas que já cumprimos a “via dolorosa” que o ajustamento está nos carris, mas sem que se saiba porquê prevalece a ideia de que o Rei das Berlengas, de Artur Semedo, foi filmado numa qualquer ilha inóspita e que o que dizemos é tudo tanga. Basta dar a “Volta a Portugal” para ver que a história está bem contada: somos portugueses, mas não somos burros.

Continua a faltar a “poção mágica”. Já os romanos se queixaram, quando quiseram conquistar a Lusitânia… Bem que nos tentaram cortar os pelos renitentes a sair do nariz. Somos malta com pelo na venta e maus de assoar. Não conseguiram. Questões genéticas, resistências cruzadas. Idiossincrasias.