No sábado à noite estaciona-se na R. do Bispo

por Paulo Neto | 2019.10.27 - 23:03

Neste sábado à noite fui passear até ao Centro Histórico da cidade. Ao passar pela rua do Bispo constatei que o passeio do lado direito, aquele onde ficam as instalações do Jornal da Beira, estava repleto de carros estacionados.

Quem simplesmente passeava a pé, uma mãe ou um pai que por ali empurrassem um carrinho de bebé ou até um indivíduo que se deslocasse em cadeira de rodas estavam impedidos de circular pelo passeio.

Perante tal cenário de falta de civismo e de desrespeito pelas elementares regras de estacionamento, interroguei-me onde estariam àquela hora as forças policiais, uma vez que não me apercebi da sua presença absolutamente indispensável para pôr cobro a tamanho abuso.

Em tempos idos, ainda Fernando Ruas mandava na Câmara, foi ordenada a instalação de pinos, também conhecidos por “capacetes”, cujo objetivo era regular o estacionamento em algumas das principais artérias do Centro Histórico. Falo em concreto das ruas do Comércio e do Bispo.

À época não foi uma medida popular, mas Fernando Ruas soube aguentar a contestação com firmeza e o tempo viria, na minha opinião, a dar-lhe razão. Almeida Henriques decidiu em sentido contrário e sem se saber bem o motivo, mandou retirar os ditos “capacetes” da Rua do Bispo.

O resultado está à vista de todos: estacionamento abusivo e desregulado em cima dos passeios. Se houvesse necessidade de prestar socorro a algum morador da rua onde habita o reverendíssimo Bispo, os técnicos do INEM ou os bombeiros teriam o seu trabalho bastante dificultado, fruto não só do abusivo estacionamento, mas também da peregrina ideia de Almeida Henriques que ordenou a retirada dos “capacetes” que mantinham a ordem sem, no entanto, e como lhe competia, apresentar uma alternativa capaz de resolver o caos no estacionamento de sábado à noite na R. do Bispo.

O Padre António Vieira tem uma intemporal afirmação sobre a forma como certos políticos encaram o nobre ato da governação que passo a citar: “aqueles que governaram apenas pelo discurso erraram e perderam“.

Quem governa comete erros, mas persistir no erro, após ser alertado para o mesmo, demonstra unicamente arrogância. Veremos como Almeida Henriques pretende comportar-se neste caso.

Carlos Cunha

(Foto DR)