“Ninguém pode dizer que é feliz.”

por Joana Gomes | 2017.05.09 - 14:02

“Ninguém pode dizer que é feliz.” disse a minha professora de filosofia há mais de dez anos. Não pude concordar. E, ainda hoje, não concordo!

A felicidade é daquelas coisas que existe. É concreta. E a minha teoria é que pessoas felizes, são felizes ao longo da vida mesmo nos dias tristes. Porque a felicidade não é passageira. É um estado de espírito. A felicidade pertence-nos ou não. Mas, se por um lado, é como se tivéssemos um código genético para isso, por outro temos que fazer por ser felizes. Mas calma, a ideia não é colocar muita pressão sobre o assunto. Porque a felicidade começa exactamente quando nós retiramos a obrigação de sermos perfeitos e de fazer tudo bater certo com aquilo que projectamos.

Regra numero um para se ser feliz: menos projectos, mais sonhos!

 

Tenho uma entrada no meu diário – sim, eu escrevo um diário; não, não tenho 13 anos!!! – que diz mais ou menos isto “Não sei como podem escrever livros de ’10 passos para se ser feliz’ quando na vida real uma pessoa precisa de umas 365427383 estratégias!”. É verdade, há dias em que nos sentimos assim. Fazemos trinta por uma linha, como se diz em bom português, e a felicidade parece escapar-se-nos das mãos como água. É o dia que amanheceu cinzento, o cabelo que decidiu ser rebelde, o pequeno-almoço que foi tomado à pressa por causa de um imprevisto, a gasolina que subiu de preço, o mau humor daquela colega de trabalho, a nossa “outra parte” que se lembrou de questionar a relação, e ainda temos que viver tudo isto com um sorriso no rosto.

Quando chegamos a casa depois de um dia destes não há como acreditar que a felicidade possa existir, muito menos que seja fácil de alcançar. Mas, meus amigos, a boa notícia é que, sim, é alcançável. A felicidade não reside nas situações em si, mas na forma como as encaramos. Como lidamos com elas.

No caso concreto acima citado, um dia cinzento não pode ter autorização para mudar o nosso humor logo de manhã. O segredo é abrir a janela e abraçar o dia tal como ele veio ao mundo. Sorrir para a chuva, e escolher um outfit que adoramos. A parte boa dos dias frios é que podemos usar camadas de roupa, o que nos dará automaticamente um look bastante cool e descontraído. E claro, aquele lenço enorme que dá três voltas à cabeça ou o cachecol que a avó fez há uns 30 anos com muito amor e carinho, entram na equação que nem uma luva.

Cabelo desgrenhado? Se não podes vencê-lo, junta-te a ele. Um bocadinho de espuma e secador ou mesmo um apanhado no topo da cabeça (para parecermos mais altas!!!!) resolvem a situação num instante!

(Os rapazes neste momento estão a pensar “pffff, mulheres!!!”)

Para o pequeno-almoço temos que ter sempre tempo, mas se foi um daqueles dias em que o despertador não tocou, pode-se sempre sair de casa a roer uma maçã, enfiar um iogurte e umas bolachas na mala para beber a caminho do trabalho ou da escola. Não é por aí que a saúde vai ficar afectada. O importante mesmo, é desdramatizar a situação.

O mesmo acontecendo com a gasolina. Um conselho? Andar mais a pé ou de bicicleta! Para além de se poupar gasolina, começa-se a fazer exercício e, ao activarmos os músculos, podemos ter boas surpresas. Sabe-se que a prática de exercício físico estimula as zonas cerebrais responsáveis pelo prazer (sim, isso também acontece quando comes chocolate!!!), mas o factor emocional de ir a pé ou de bicicleta para o trabalho traz algo novo. Traz a sensação de abraçar o dia pela manhã e estar em contacto com o ar puro. O facto de a viagem também ser mais demorada dá-nos mais tempo para organizar a nossa agenda diária. E estas sensações são catalisadoras de pensamentos positivos. E nós sabemos que pensamentos positivos atraem coisas positivas!

Quanto aos colegas de mau-humor matinal….bem, o seu humor é da sua responsabilidade. Só interfere no nosso se deixarmos. E nós não vamos deixar!

E claro que se a relação está a ter problemas, nunca é tarde para repensá-la! Uma incerteza, por si só, já é um dado concreto de que algo não está bem. As relações “foram feitas” para acrescentar experiências positivas na nossa vida, não para complicar ou confundir. No entanto, a “falar é que a gente se entende”. Nada como marcar um encontro no café favorito para conversar. Às tantas, era só mesmo de mais momentos assim que a relação estava a precisar! Por mais que se diga que a presença física não é o mais importante, tem um peso fundamental nas relações, sejam elas quais forem. E “fazer tempo” para as pessoas é das coisas com que mais devemos preocupar-nos na vida, se queremos ser felizes. Os relacionamentos que temos é que definem o nosso grau de felicidade! Uma vida só de trabalho e preocupações, nem deveria poder chamar-se de vida. Arranjem outra palavra. Porque viver é abraçar pequenos momentos, é estar inteiro no presente. É fechar os olhos e abrir o coração!

Estão a ver? Afinal sempre precisamos de uns 10 passos, ou menos até, para sermos felizes!! Não digam que não avisei!

De um modo geral, a felicidade acontece quando andamos ocupados a viver. Se nos preocuparmos demasiado em correr atrás dela, só nos vamos cansar. É tudo uma questão de retirarmos a pressão de “sermos felizes” de cima dos nossos ombros. A felicidade não pode ser um fardo. Tem que ser algo mais mágico que isso. Deve ser baseada em coisas simples, deve ser leve e despreocupada, mas senti-la ou não é algo que se treina.

O apreciar as flores a rebentarem nos ramos das árvores todas as primaveras, o calor de uma lareira, uma manta sobre as pernas e uma caneca de chá, café ou chocolate quente, um livro, um serão com os amigos a ver filmes ou a jogar jogos de tabuleiro, um almoço de família, uma conversa profunda, uma caminhada ao ar livre, yoga, ouvir a nossa música favorita vezes sem conta, viajar… tudo isto é felicidade. Dar mais atenção às coisas que nos aquecem a alma! E não é uma regra, não é igual para todos. Mas posso dizer-vos quase garantidamente que o expoente máximo da felicidade é quando amamos estar na nossa própria companhia. Quando isso acontece, aí sim, podemos dizer que a felicidade nos corre nas veias. E, sinceramente, não queremos lá muito saber da cura para isto, pois não?

Gostava imenso de terminar com um “façam o favor de serem felizes”, mas alguém já o disse por mim, há uns tempos, logo não vou fazê-lo. Apenas deixo a questão no ar: de que estão à espera mesmo??