Mundos Internos

por Cátia Figueiredo | 2017.04.07 - 12:40

 

 

 

Trauma. Origem da palavra? “Ferida”.

Pela vida afora, as feridas acontecem a todos os que vivem: por razões certas, por acaso, por vontade da vida, por razão nenhuma. Escolhi trabalhar na área da saúde mental, sem ter noção – na altura – de que a saúde é um fractal. Se a dividirmos em partes (mente, corpo, espírito, relações, etc.) vamos continuar a aprender sobre o todo. Esse todo – feito de partes espelho – liga várias saúdes que comunicam entre si e crescem juntas. Se as feridas da vida acontecem, as saúdes colaboram. Se umas saúdes não avançam, as outras puxam e compensam…para que a vida (o todo) continue a existir.

A saúde mental, de facto, não é solitária nem está isolada. Trabalha com muitas outras.

Hoje, quem trabalha em saúde mental nos Estados Unidos, tem de falar em acesso a comida, água, tecto, segurança, educação e serviços médicos. Tem de falar de política, ecologia, espiritualidade e direitos humanos. Tem de falar de raízes genéticas, culturais e de fé. Tem de conversar acerca dos traumas passados, traumas que se antecipam e traumas que se repetem. E vai falar da vida, nos seus vários reinos.

Ouvi no outro dia: “A saúde mental torna-se mais complexa, quando o mundo faz o pino”. Também, “As coisas saram no silêncio”.

No entanto, antes que esse silêncio possa acontecer (e antes que as feridas ganhem crosta) devem haver palavras. Verbos. Metáforas. Rimas. Voz activa. Arte. Apoio psicológico, médico, espiritual, legal. E…integração e expansão do conceito de saúde.

Que os mundos se unam e que hajam saúdes.  Porque o corpo desta nação parece saudável e segue em frente, mas, o espírito… anda de arrasto.

 

 

 

 

Estudante de Medicina Ayurvédica, Yoga e Psicologia de Aconselhamento. Residente lá fora.

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