Menos treta, mais obra! Menos município, mais Viseu

por Fernando Figueiredo | 2019.11.11 - 21:47

Aproxima-se mais uma discussão do orçamento municipal e das chamadas grandes opções do plano para o ano de 2020.

O panorama actual da situação financeira da autarquia, pese os esforços reiterados do gabinete de propaganda da edilidade em negar sistematicamente a realidade, o facto é que números são números e até na contabilidade da mercearia, se as despesas são superiores às receitas, o resultado é negativo.

Sendo preocupante o descalabro do estado das contas do município, mais ainda o é porquanto não se vislumbra resultado palpável dessa incompetente gestão. Quase 100 milhões de euros ano são executados sem que obra se registe, sem que a vida dos viseenses melhore significativamente em consequência da despesa pública. Não será a “modernaça” casa de banho dos canídeos ou as inúmeras e imersivas experiências do marido da directora do Viseu Marca a fazerem a diferença na vida dos viseenses. Quando muito preenchem-na, ao mesmo tempo que alimentam um séquito instalado à volta dessa municipalização da vida pública, mas não a tornam sustentável sem esse peso no bolso dos contribuintes viseenses.

Até pode a autarquia vir justificar este despesismo, sem nexo ou prioridade, como sendo um investimento imaterial na qualidade de vida dos viseenses mas o facto é que se trata de algo em que não se consegue tropeçar. Nada fica de visível, obra que se percepcione, momento que se repita, ao invés é tudo de consumo rápido, sem retorno tangível e quantificável.

Resulta apenas no momento para aquele mercado e comércio que operacionaliza a “experiência imersiva” do marqueteiro territorial do regime e no instante seguinte ou se injecta de novo euros no projecto ou terá que ser reinventado ainda com mais despesa. Até isso se percebe pelo monta desmonta, decora e redecora dos espaços, pinta e repinta, produz e deita fora o outdoor… um desgoverno tal que resulta no que é já preocupação do povo, o ter eleito quem não trata do dinheiro público como devia tratar do dinheiro pessoal. Daí até às parangonas das últimas semanas nos jornais, cada um que faça o seu juízo. A justiça também cedo ou tarde fará o dela (será interessante perceber quanto a CMV gasta em advogados e serviços jurídicos por ano).

Adiante, 100 milhões para que no final nem obra que se sinta fique é realmente uma lástima! Ao menos que se corrijam erros do passado como por exemplo a mobilidade na Calçada de Viriato com o veículo autónomo prometido, mas até agora nem o velho funicular funicula abaixo e acima, o velho e abandonado edifício da Vitivinícola, o ignorado Parque da Agueira, a recuperação do Parque do Fontelo, etc… e tal. Por exemplo, recuperar o investimento da obra no túnel de Viriato e prolongá-lo para que possibilite o escoamento de e para a Avenida da Europa ou de e para a Avenida Capitão Homem Ribeiro!

Importa que em sede de AM se discutam as verdadeiras opções e prioridades para o orçamento de 2020 sem deixar dúvidas ao actual executivo do caminho a seguir. Este que nos trouxe até aqui resulta em nada que se veja. Esperemos que 2020 não seja mais um ano de muita comunicação e pouca realização.

Menos treta, mais obra! Menos município, mais Viseu.

Fernando Figueiredo

Forjado na Beira Alta, aos 56 anos dá-se por bem casado e aprecia a companhia de três filhos, dois ainda na fase de espalhar magia a toda a hora; em família dá-se como feliz, apenas por o fazerem feliz. Como os duros estudou na Academia Militar, que não é para meninos e na época em que ainda se viajava de pé no comboio mas teve ainda tempo para queimar as pestanas em Gestão de Recursos Humanos. 36 anos “militarizado” vê-se agora na reforma a procurar ser “civilizado”. Em termos profissionais esteve no Iraque e voltou para contar, também esteve em Timor onde bebeu água de coco e visitou Jaco, erro fatal que lhe deixou o coração preso nas valorosas gentes timorenses e nas paisagens únicas do País que ajudou a ver nascer independente já no Séc XXI. Nos tempos livre actualiza o blog mais lido e odiado do delta do Dão, o Viseu Sra da Beira, e ainda escreve textos para jornais mas, poucos o lêem. Homem sem grande preocupação em fazer amigos, escreve o que entende sobre quem não consegue entender. Tais liberdades já lhe valeram um par de processos em tribunal, sem nunca se ter declarado Charlie. A genética deixou-o sem um único cabelo mas está careca de saber que os valores do trabalho, da honestidade e da amizade são o maior legado que o pai lhe deixou. Benfiquista moderado, gosta mesmo é de um bom jantar na companhia dos melhores amigos. Agora como empresário e homem de negócios só aceita de lucro o necessário para viver e distribuir por outros e de comissão a 100% a ética, a responsabilidade e o profissionalismo. É garantidamente mais bonito ao vivo que em foto.

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