Lavar políticos a jacto de água?

por PN | 2018.10.09 - 20:14

Além dos EUA, do Canadá, do México, de Cuba, de Guatemala (América do Norte e Central)…, os países sul americanos são vários, aqui me reportando apenas aos mais significativos, de língua espanhola e portuguesa: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai Peru, Uruguai, Venezuela…

Todos juntos e faltam alguns, formam o continente americano.

Assim se escreve à laia de introdução. Vamos ao desenvolvimento

 

O Alexandre Borges, também cronista colaborador da Rua Direita, no seu feed, postou o seguinte:

Bolsonaro com quase metade dos votos.

Que isto sirva aos que, em posição de responsabilidade, em governos de vários tipos, se comportam sem mínimos de respeito e elevação, que roubam, que mentem hipocritamente, que desbaratam a confiança que lhes é depositada e que dessa forma ajudam a criar o caldo nauseante que promove o populismo perigoso que eleva Trumps, Dutertes e Bolsonaros. Sois co-responsáveis em toda a linha.

E de facto, se o continente americano com Trump à cabeça se está a transformar num tsunami gigantesco de populismo radical de esquerda e de ultra-direita, da Venezuela de Nicolás Maduro ao “novo” Brasil de Bolsonaro, há que ter em conta o legado de certos líderes como Lula da Silva, Hugo Chavez… e o “desbaratar da confiança neles depositada”.

Efectivamente, se a democracia os elegeu, o abuso perdeu-os. Afirmar que conviveram mal com o poder, é um eufemismo banal. Perceber que quase tudo aquilo pelo qual combatiam e os levou ao poder foi adulterado, violado, ultrajado, é perceber, de alguma forma simplista, o descrédito, a desilusão e a desorientação de um eleitorado cansado de escândalos e de angústias vivenciais, a tentar agarrar-se a regimes de mão férrea, de esquerda ou direita.

Excepção foi o antecessor de Trump ter sido Obama, que muitos viram como a maior vaga de esperança e de libertação dos democratas face ao conservadorismo republicano. Mas também a segui-lo, excepcionalmente, veio Trump, talvez o inventor de novas formas de eleitoralismo terrorista, mas eficaz, face a uma Hillary Clinton derreada pelo nome que às espaldas carreava e algumas controversas “fraquezas” híper exploradas.

O caldo nauseante que promove o populismo”, na reflexão acertada do Alexandre Borges, é também triste apanágio da Europa e começa a alastrar perigosamente por toda a parte. O mundo está em mutabilidade, essa mutação vertiginosamente acelerada, os políticos, em geral, sofrem de retardamento face a essa evolução/involução. O eleitor vive o enigma do crédito face à mentira e trauliteirice dos políticos em quem vota, cada vez mais a assemelharem-se ao melão, que só quando aberto verdadeiramente se conhece.

Maus políticos geram esta vaga de “mau nome”, má fama e reputação duvidosa. Os tempos hodiernos, são, também eles, propensos ao desinteresse e à mitigação dos interesses por divertimentos muito acessórios, um novo “ópio do povo” onde todos argonauticamente navegamos, sem saber quem ao leme levamos.

Parece que não conseguimos surfar esta onda através da sua enormidade e velocidade. Ficamos aquém ou debaixo dela. O deslaçamento e o desligamento de uma “verdade política”, naufragada sob péssimos exemplos leva-nos a reflectir sobre as novas formas de Poder, sobre a mentira e a ilusão como modo de o alcançar, sobre a corrupção e cleptocracia como meios de o conspurcar.

E aqui se finda  a “coisa”, com esta conclusão:

Sem vozes do Restelo a clamar para o Tejo das naus, prenunciam-se tempos estranhamente pródigos em desgraça. Como contrariá-los? Lavar políticos a jacto de água, ou a lixívia bastará?