Janeiro, a segunda-feira dos meses

por Joana Gomes | 2018.01.08 - 19:53

 

É claro que com isto não estou a contemplar todos aqueles que estão de folga à segunda-feira ou que não têm variações de humor consoante os dias da semana. Caros amigos, se é esse o caso, este artigo não é para vocês.

Este artigo é para todos aqueles que viveram intensamente as festas e, desde o dia de todos os Santos que não vêem outra coisa à frente senão a magia do Natal. É para todos os que passaram a última semana de Dezembro a fazer balanços do ano que passou (num abrir e fechar de olhos, by the way) e a escrevinhar resoluções para o novo ano que se avizinha (entre elas, emagrecer e poupar dinheiro). É para todos os que sabem que mais vale engordar do Natal ao Ano Novo que do Ano Novo ao Natal. E é, essencialmente, para todos aqueles que, chegada a hora de desmontar o pinheiro de Natal, caem em prantos e resolvem adiar o serviço um dia atrás do outro, porque vendo bem as coisas, até funciona bem na decoração da casa – grupo este no qual me incluo!


Preguiçosa, pensam vocês, já prontos para passar ao artigo seguinte. Mas, podendo até haver uma nota de preguiça no meio disto tudo, há razões com mais peso para não querer desmontar toda uma árvore, cheia de decorações vermelhas, brancas e douradas e com as luzinhas a piscar 24/7 durante o último mês.

Vejamos: desmontar um pinheiro de Natal é assumir que a magia acabou. Caput. É como ir para a cama no Domingo à noite e pensar que amanhã já é dia de trabalho, e eu não quero ir. Principalmente porque ficamos sempre com a sensação que deveríamos ter aproveitado mais o fim-de-semana. Ou, neste caso, as festas. Asseguro-vos, se adoram o Natal, acredito que o tenham aproveitado ao máximo. Só é pena ter que acordar da dormência feliz em que esta época nos deixa para voltar a pensar em trabalho e contas para pagar e resoluções para cumprir.

É que em Dezembro tudo é mais bonito, não temos tempo para pensamentos negativos porque falta comprar o presente da tia Graciete, e o Joãozinho ainda acredita no Pai-Natal, temos todos que alinhar (como se o Pai-Natal não existisse, de facto…adultos!!!). Além disso, perdemos horas no google à procura de receitas de Sonhos Fit (não há, lamento! Se são sonhos não podem ser fit. Ide lá comer uma folha de alface para outro lado. Aqui não!). E depois ainda há o bacalhau e o polvo para comprar, as mensagens de Boas Festas e Feliz Ano Novo para enviar a toda a lista de contactos do facebook, os jantares de Natal do condomínio, da empresa, da empresa do cônjuge, do ginásio, do clube de leitura, dos colegas do liceu, dos alunos de X a Y da faculdade de whatever, dos colegas do emprego de há dez mil anos e uufffff, deprimo no mês que vem que agora não tenho tempo!

E é por estas e por outras que Janeiro chega como uma autêntica bofetada: estamos mais pobres, mais gordos, mais deprimidos e com menos energia. E, a juntar a isso tudo, ainda temos um pinheiro para desmontar. Tenham dó! Ninguém é de ferro!

A minha ideia é a seguinte, deixemos estar o pinheiro. À experiência! Não há-de ser por aí que o gato vai às filhós, até porque já as comemos todas. E, em tirando este peso de cima, já podemos encarar Janeiro com outra leveza. Até já podemos ir para o trabalho com um sorriso no rosto, ou continuar a organizar jantares sem nenhum motivo em particular, ou mandar mensagens (personalizadas) às pessoas que nos são mais queridas a lembrá-las de como tornam a nossa vida mais colorida ou comer Ferreros Rocher sem sentimento de culpa (parecendo que não, isto é muito importante)…ah, e brindar à felicidade com champanhe, sem antes termos que fazer uma contagem decrescente! Enfim… que Janeiro deixe de ser a segunda-feira dos meses para ser, simplesmente, uma autêntica After-Party!

P.s.: Feliz Ano Novo a todos os leitores, mesmo àqueles que odeiam o Natal e a vida em geral mas tiveram paciência para ler o artigo até ao fim. Adoro-vos!