Há que parar e pensar …

por Cílio Correia | 2018.02.27 - 17:04

 

 

 

Seis em cada dez utentes vão ao Serviço de Urgência quando devíamos, para contrariar esta tendência, ter um programa integrado de acompanhamento de doentes crónicos complexos.

O objetivo não pode ser tratá-los somente na Urgência. Há que mudar, contudo, de paradigma assistencial. Temos que integrar os cuidados hospitalares e de saúde primários, como forma de resposta. Construir uma parceria para doentes complexos e idosos passando a ter um médico de referência que garanta acesso a exames complementares. Ajudando todos (doentes, familiares e profissionais), podemos diminuir o recurso às urgências e abrir vias alternativas de atendimento ao doente crónico complexo para evitar que descompensem a sua doença (insuficiência cardíaca, diabetes, doença respiratória crónica, insuficiente renal, arritmia, HTA etc) e se tornem em utilizadores frequentes das urgências.

A integração de cuidados e sua continuidade no domicílio é o futuro, além do apoio social ao doente crônico e família.

A comunicação é essencial no curto e médio prazo: disseminar métodos de trabalho e barreiras a vencer, criando planos integrados de cuidados para doentes crónicos, que combatam o seu recurso frequente às urgências, o que implica a gestão de caso clínico complexo em doente com quatro ou mais idas à urgência por ano e pelo mesmo motivo, mais de duas comorbilidades e a tomar mais de seis medicamentos.

O serviço de Urgência é um recurso para episódios clínicos graves e não um grande centro de saúde onde se fazem exames complementares.

Temos que nos ajudar uns aos outros na continuidade de cuidados e ajudar o doente e família/cuidador a “navegar” no Serviço Nacional de Saúde.

Isto leva o seu tempo, uma aposta holística que também exige uma aprendizagem e literacia em Saúde.

O futuro passa por fazer diferente, como seja, por exemplo, a monitorizaçao do doente crónico complexo e incapacidades manifestas, a par dum plano de tratamento.

Os nossos doentes, hoje em dia, têm muitas doenças, e não apenas uma doença, que precisam duma gestão clínica apertada.

 

(Foto DR)