Há guerra na Defesa

por PN | 2019.07.22 - 10:35

Gomes Cravinho ministro da Defesa e o almirante Silva Ribeiro CEMFA interpretaram uma estranha “coreografia lexical” a ver quem é mais claudicante neste bizarro bailado público.

Se a “roupa suja” se lava em casa, certo é haver sempre canais internos e hierárquicos para decidir sobre situações fulcrais. A não ser que esses canais tenham definitivamente “entupido” e, em derradeiro recurso, se tenha recorrido à denúncia pública da “insustentabilidade” das Forças Armadas, como forma de pressão da tutela.

Não obstante, se o recato, se é precioso, por vezes torna os “recatados” cúmplices, na anuência e persistência do consentimento.

Todavia, o ministro, com a resposta que deu, em em matéria de “infelicidades de linguagem“, num evitável braço de ferro, mostrou que a diplomacia não mora na Avenida da Ilha da Madeira, nº 1, em Lisboa.

Se o CEMFA acha que a actual  situação das Forças Armadas “é insustentável”, devido à falta de efectivos, Cravinho ao retorquir que “o papel do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas é assegurar que as missões são cumpridas” e que, “se ele chegasse à conclusão que não pode cumprir essas missões, então sairia”, respondeu com insensatez e pouco tacto, criando, em vez de a evitar, uma guerra inútil e grosseira.

Paulo Neto