Fundos da torre 9: Taberna do Chefe

por Amadeu Araújo | 2018.09.07 - 20:36

 

Fica numa vila industrial, industrial e vinhateira que escansão é profissional com estátua e nela abundam os pipos. Fui-me à Taberna num almoço de trabalho, daqueles em que o contador aponta a outros, e topei a esplanada logo depois do Largo General José de Tavares. Sim o largo e o bronze, têm razão de ser.

Nelas será, talvez, o único local do mundo com estátua dedicada à figura do escanção, profissional dedicado ao serviço dos vinhos.

Inaugurada em 1966 o nosso escansão representa Fernando Ferramentas, profissional do Hotel Aviz, em Lisboa, e aquilata a importância de um bom serviço na promoção do vinho do Dão.

Situada logo depois do Largo General José de Tavares, em Nelas, a Taberna do Chefe tem robusta e vistosa garrafeira, do Dão pois então, ementas diárias e pedidos especiais. O drama é que não há lista, nem ementa, nem cardápio. No exterior um quadro de giz aponta a comedoria, no interior o ‘quanto custa’ faz as outras vezes. E essa pergunta será talvez a única formula para evitar o supetão na hora do pagar. De começo chega pão, balsâmico e azeite, bom para entreter enquanto esperamos. Uma feijoada, com ele branco e cenoura, boas carnes e melhores enchidos. Um bacalhau, tibornado, com batata à murro, tomate e pepino foi outro dos pratos. De boa lasca e melhor demolha, agradou e até o inusitado da salada marchou como refrigério à estopa. Perguntando-se fica-se a saber que há novilho grelhado, bife com molho de queijo Serra da Estrela, cabidela de frango de campo em vinho branco e até uma francesinha. Nas sobremesas há pudim de vinho e pera bêbada.

O espaço é moderno, arejado e acolhedor, intimista com as paredes em pedra e tranquilo.

Em bom rigor é um bom parador, não fora a carta que não existe e os preços dos vinhos serem agrilhoados ao perguntador. O serviço é ágil e simpático, e a esplanada, com sombra de árvores faz o resto.

Gostei da comida e do atendimento, mas a ausência de cartas e de preços, deixa-me inquieto e nem a refeição nos assenta se antes da comezaina não formos pelo preço. 28 euros, com 8 de um branco 2017 dos Caminhos Cruzados.

Calibrada e equilibrada nos preços, generosa na oferta de vinhos do Dão, incluindo a copo, não defraudou o almoço de trabalho. E com um cardápio ficariam todos satisfeitos. O turismo, os viandantes e o escansão.

 

 

Amadeu Araújo, Jornalista