Fundos da torre 10: Cervejaria Cacimbo

por Amadeu Araújo | 2018.09.13 - 20:52

 

Eficiente e dedicada a Cervejaria Cacimbo, ainda na Viseu da rua Mendonça, quem vai às Pedras Alçadas e deixa o tardoz ao Infante, aloca ao cardápio bifes e mariscos. Uma cervejaria, instituição venerável e rara de encontrar nos dias que correm. Mar e terra, por entre garrafeira distendida e palpitante, com frigoríficos para arejar a pinga, incluindo o tinto nos dias de estopa.

Adiante que peixe é alimento que vem na ementa, mas antes os crustáceos. Veio uma sapateira, com a mioleira amostardada e as pernas um pouco secas, mas que num breve reparo foram aliviadas por outras. Distração empolgante são os mexilhões, à Bolhão, cozidos no solilóquio do vapor e alegoria ao palato. Simples e frescos, a que acresce berbigão e camarão, da costa e de tamanho avantajado, e para os gaiatos um menu a propósito. Para barrigas comedidas há lagosta e ameijoa e junta duas propostas de mariscada, natural e grelhada, são estas as opções a que se juntam ostras e tudo o que o mercado enviar à rede, incluindo de mares longínquos o fiel amigo.

Falta, na boa tradição, um prego untuoso, derretido e batido, mas o talho fornece outros suplementos. Lombinho de porco, posta e vazia de vitela, ambas grelhadas. Como é da modernidade alvitram o costeletão Tomahawk e a costeleta de bovino T Bone, cortes que já vos aperitivei e que escuso a maçada a quem tem água pela barba.

Este Cacimbo, fiel às cervejarias, tem das ditas de cevada, mas o que espanta é a nutrida garrafeira, a quem não faltam nem os colheitas tardias, nem os espumantes. Tintos e brancos, de quase todas as regiões com preponderância ao Dão, sem olvidar o Távora. Eu e os meus convivas, ficámos no da casa, um Rosé Doc Dão, embotelhado pela Udaca e que serpenteou e surpreendeu. Pela frescura na boca e leveza na carteira. Seis euros de um bom vinho, de 2016, numa carta que tem muitas e boas propostas, a preços engajados e sensatos.

O espaço é moderno, arejado, de boas cadeiras e largas mesas. Aqui e ali umas mazelas nas paredes, mas no essencial há despacho e curadoria. Nas duas salas, e em baixo ao lado do robusto balcão, há dias em que as paredes exibem retratos e pinturas dos artistas viseenses. Nota ainda para a esplanada, em confortáveis cadeiras, abrigada do sol e da chuva, que ainda bem, não tarda. Estacionamento, serviço curial e conta fidalga. 45 euros para três mastigantes, incluindo uma mousse de chocolate, feita em estilo clássico e uma ode com que os opíparos terminam o canto.

Espaço agradável, bem fornecido de secos e molhados e despachado. Falta o prego, que não lobriguei na carta e haja esta oferta que nos dias que correm contam-se pelos dedos de uma mão as cervejarias da cidade, ainda mais como esta, com pescaria e talho para que não nos falte o engenho. Nem a arte.

 

 

Amadeu Araújo, Jornalista