Floresta Urbana em Viseu

por Anabela Silveira | 2018.06.05 - 08:45

 

 

Hoje, 5 de Junho, comemora-se o Dia Mundial do Ambiente.

 

Viseu não quis ficar de fora das comemorações e escolheu este dia para realizar, no Solar do Vinho do Dão, um Seminário intitulado Floresta urbana e sustentabilidade, uma organização conjunta do IPV, ESAV, ADN, UTAD e Quercus.

É de louvar iniciativas como esta em que se pretende reflectir sobre a “Floresta Urbana”, o pulmão verde que qualquer cidade deveria cuidar e preservar.

Tive o cuidado de ler atentamente o programa. Detive-me, então, em duas comunicações: “Biodiversidade arbórea na cidade de Viseu – apresentação do inventário arbóreo e sistema de gestão de árvores no âmbito do protocolo com o município de Viseu”, a cargo de Hélder Viana, professor adjunto da ESAV, e “Valorização do património arbóreo na cidade de Viseu”, da responsabilidade da engenheira florestal da CMV, Sandra Pereira. Não foi por acaso que, muito lépido, saltou-me o olho para estas duas comunicações. Em primeiro lugar, porque as duas se completam: património arbóreo viseense, biodiversidade das espécies florestais, o seu inventário e sistema de gestão. Em segundo lugar, porque, quando estão a ser abatidas árvores no recinto da escola Grão Vasco, estes temas levantaram-me uma série de interrogações.

Passo a elencá-las:

1 – De que falamos quando nos referimos ao «património arbóreo de Viseu»? Dele fazem parte as árvores do parque Aquilino Ribeiro, Fontelo, Rossio, das várias ruas e avenidas (entre elas não conseguia deixar de referir a «minha» Av. Alberto Sampaio, em tempos conhecida pela Avenida do Caroço, por causa das suas cerejeiras), bem como de todas as árvores que são dão sombra e embelezam os espaços escolares, ou estas últimas pertencem a essa “diáfana” entidade «Estado», que tudo engloba e para tudo serve, quando se quer livrar a água do capote?

 2- O que foi verdadeiramente inventariado? Por acaso chegaram às árvores da Grão Vasco? Contaram com o azevinho, essa espécie em risco de extinção e, por tal protegida por lei? Contaram com as tílias? Mas tílias há muitas! Repare-se só no Rossio! Nem vou mais longe…

3- A biodiversidade arbórea da cidade remete para que espécies? Por acaso o azevinho faz parte desse rol? Quando passeamos pela cidade, encontramos, nos jardins particulares, estes arbustos, todos eles muito bem tratados. Um regalo para os olhos quando o inverno se vai entranhando nos ossos e as cores se tornam mais pardas.

4 – Quem vai gerir o património arbóreo da cidade? Era bom que se soubesse. Por várias razões: para que os atentados, como o que assistimos na última semana, pudessem ser reportados; para que houvesse uma entidade que se responsabilizasse pela gestão florestal e fosse responsabilizada por qualquer dano causado; para se saber a quem dirigir louvores pelo trabalho bem realizado.

Mas se em Viseu se abatem espécies florestais decorrentes de uma reabilitação dum edifício e de um espaço escolar, noutras cidades trata-se com desvelo o património florestal. Estou-me a referir particularmente a Coimbra e à sua Universidade, com um programa denominado Das Altas às Baixas: diversidade e ecologia das árvores de Coimbra: “Em menos de 2 km, sempre a descer, há dióspiros do tamanho de cerejas, pinhas maiores do que uma bola de rugby e árvores quase extintas na natureza, mas que continuam a crescer na cidade […]”[1].

Porque não olhar para os bons exemplos … em Viseu pode haver muito mais do que vinho e folclore.

[1] In Rua Direita, 4/6/2018

Foi professora do 2º ciclo do ensino básico, leccionando HGP. É licenciada em História, Mestre em Historia da Educação e Doutorada em História pela UP. Como investigadora, integra o Instituto de História Contemporânea da FCSH/UNL.

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