Eu tenho dois amores

por Vítor Máximo | 2018.02.25 - 09:11

 

 

 

Eu tenho dois amores, mas não ligo a nenhum,

um era pastor rebelde o outro tinha sangue azul.

 

É verdade! Viseu será sempre a cidade de Viriato: tem uma estátua, um bolo e uma Cava. No entanto por aqui ficou, até o Centro de Interpretação da Cava de Viriato ficou no papel por falta de verbas ou vontade política.

Sempre me intrigou como uma figura como Viriato nunca foi devidamente explorada e rentabilizada para fins turísticos, culturais ou históricos.

Mas vamos centrar-nos no turismo, área muito querida à câmara municipal desde há muito; afinal de contas Barcelos tem um galo, Lisboa o Santo António, as Caldas todos sabemos o que tem e, no entanto, Viseu tem uma figura icónica e não conseguimos encontrar uma caneca que seja, quanto mais uma peça de artesanato digna de registo dedicada a esse grande líder rebelde que pôs o império romano em sentido.

Muito honestamente não faz sentido para mim e baralha-me ainda mais que a Viseu Marca que, sejamos realistas até tem feito um bom trabalho na divulgação de Viseu e dos seus eventos, não vá mais longe e agarre com unhas e dentes essa figura que sempre foi tida pelas gentes de Viseu como um exemplo do espírito beirão.

Viriato é um elemento identificador da cidade, mas é ao mesmo tempo negligenciado e muitas vezes esquecido por ela: digam lá se não era bonito, em pleno ano do folclore, os milhares de turistas que certamente nos irão visitar (estou a falar de turistas a sério, não dos javalis) poderem levar para as suas casas como recordação uma peça de artesanato do Viriato ou mesmo um íman para o frigorífico com os dizeres “I love Viriato”.

Não vou cair no ridículo e dizer que o merchandising do Viriato seja a grande alavanca do comércio tradicional, mas arrisco-me a dizer que contribuirá com pelo menos quinze postos de trabalho, tantos quantos a critical software se propõe a criar a médio-longo prazo.

Caro executivo camarário, penso que está na hora de, em conjunto com a associação de comerciantes, iniciativa privada, escolas, etc, darmos relevo a este elemento identificador da nossa cidade. Podem até começar a oferecer Viriatos de ouro nas vossas homenagens.

No entanto, como se não bastasse, temos agora um novo amor, D. Afonso Henriques.

Mal falamos com um e já andamos a catrapiscar o outro. Muito sinceramente, creio ser relevante apenas do ponto de vista documental o local do nascimento do nosso primeiro rei.

Aproveito para deixar um pouco de sabedoria popular, mais vale um pássaro na mão do que dois a voar.

Agora, se a ideia é a de pôr uma estátua numa rotunda ou uma placa num qualquer casario a marcar o local de tão abençoado nascimento, então aí temo que mais cedo ou mais tarde estaremos a arrastar a asa talvez a Grão Vasco e acabamos por deixar um rasto de corações partidos espalhados por aí.

 

Victor Máximo

Militante CDS-PP

 

Educador de infância. Militante CDS-PP

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