Estratégia ou incompetência?

por José Chaves | 2017.05.07 - 12:50

 

A PSP como instituição fortemente hierarquizada, tem necessidade de criar nos seus elementos factores fortes de motivação.

A segurança no seu sentido amplo e mais abrangente, assume hoje contornos verdadeiramente essenciais para aquilo que é, actualmente, o grande desígnio nacional: o turismo.

Perante estas duas evidências, não se compreende que o Governo e a Direção Nacional da PSP, descurem tanto o que são anseios básicos e completamente justos, isto nas palavras quer do Diretor Nacional da PSP quer da Ministra da Administração Interna e com isto estejam a causar graves perturbações em quem tem a missão de garantir as liberdades e a segurança no nosso país.

Desde logo, não se entende que sabendo-se que vão determinado número de polícias para a pré-aposentação, ainda não tenha saído uma lista provisória dos que mostraram essa vontade, até porque basta a publicação em ordem de serviço. A publicação da lista, deve ainda, ser acompanhada do momento em que cada um dos polícias, pode passar para essa situação e não sair de um momento para o outro, já que todos, sem exceção, devem preparar a suas saídas do ativo e bem assim poder organizar-se em função disso mesmo. Este, é um direito actualmente sonegado aos profissionais de polícias que se encontram em condições de passar à pré-aposentação e já demonstraram esse desejo. Como também é revelador da desvalorização que se fazem aos profissionais da PSP que já cumpriram uma vida inteira ao serviço da pátria e, neste final de carreira, estão a ser tratados como meros números estatísticos.

Não se compreende que os concursos que se iniciaram no final de 2016, e ainda não haja qualquer decisão nesta matéria. Quando, por exemplo, o concurso a Agentes Principais é só publicar as listas, estando tudo pronto para esse efeito, há pelo menos um mês. Menos, se compreende quando estamos ainda em período de austeridade, não haja os descongelamentos dos índices e as promoções sejam a único meio de alguns polícias verem as suas carreiras progredir.

Não se compreende que os nossos aposentados, que deveriam ter já as suas pensões acertadas de acordo com a Lei, uma vez que foi eliminado o fator de sustentabilidade, ainda estejam a receber com os cortes que nunca deveriam ter existido.

Não se entende, que as diversas valências da Unidade Especial de Polícia estejam à beira de rutura, por não haver cursos de formação para entrada de elementos nessas unidades.

Ninguém percebe o motivo por que se não cumpre o estatuto na colocação na segunda posição remuneratória dos agentes e subcomissários com um ano ou mais de serviço efetivo.

Não se compreende, o não descongelamento dos índices remuneratórios, sabendo-se da instabilidade que isso está a causar no seio da instituição.

Foi exactamente por causa destas e de outras matérias que a ASPP/PSP depois de uma concentração em Lisboa, no pretérito dia 20 de Abril, decidiu dirigir-se à residência oficial do Primeiro-Ministro e entregar um conjunto de reivindicações, as quais necessitam de decisões muito urgente e que basta a boa vontade, ou alguma competência, para que muitos destes problemas possam vir a ser ultrapassados, não restando por isso alternativa, que não seja a ASPP/PSP partir para acções de protesto de contestação a um Governo que revela elevada ineficácia e protela no tempo situações que vão esgotando a paciência do mais paciente dos mortais.

Tivesse um polícia na sua atuação diária no contacto com o público, a falta de sensibilidade, inércia e até incompetência com que se tem revelado o Governo, bem como a Direção Nacional da PSP, e provavelmente já teria sido alvo tantos processos disciplinares, que hoje já não pertenceria à instituição.

Vice-presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP)

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