Em Viseu fala-se em “arboricídio”

por PN | 2019.07.16 - 20:19

A autarquia viseense empreendeu a sua saga persecutória de muita da secular flora viseense.

Os viseenses, por seu turno, de tudo alheados, fazem de contas que não se apercebem de nada, num estranho estado pós-hipnótico de consentida destruição.

Por todo o lado, as árvores vêm abaixo. De seguida, se questionados, os responsáveis alegam com um ar de espanto cândido, que são “árvores doentes” e que só as abatem “para bem dos munícipes”.

Do Parque Aquilino Ribeiro, ao Rossio, ao Fontelo, parque frente à Viseu Marca, Largo da Feira Franca, junto ao aeródromo… etc., vai-se implementando com impávido despudor esta inqualificável razia.

Serão os arautos do betão… Quando hoje sabemos que 1 hectare de floresta é propiciador de alterações climáticas profundas no interface urbano a que se liga, como maior frescura e humidade no Verão e mais calor no Inverno, pensamos que esta política assanhada, além de dar ideia de um desnorte incessante, aparenta também um básico alheamento de princípios ecológicos grosseiro.

Estas fotografias aqui presentes foram gentilmente cedidas por diferentes leitores. Tirando o vermelho a metaforizar/simbolizar o sangue pintado nos troncos serrados, caídos, aniquilados, a doença, a existir, só poderia estar na crueldade do “algoz e não na inocente vítima“.

Empresas “embrulhadas” em nomes bonitos, de quase fazer sorrir, pela preservação ambiental que pressupõem e de que deveriam ser cuidadosas zeladoras, cortam e até colocam nas vítimas a abater uma espécie de “babette” de morte anunciada. Tanta maligna impunidade…

NOTA FINAL: O contrato de “Fornecimento Contínuo de Abate de Árvores e Remoção de Cepos” (nº 29-UOCP/DSP/2019, tem um custo de 72.310,00 €).

Paulo Neto

(Fotos DR)