Em estrelados tempos da Michelin

por PN | 2019.11.29 - 12:27

O gáudio chegou à urbe com a estrela concedida a um chef de uma quinta particular “apadrinhado/(a)” pela Câmara Municipal de Viseu.

Regozijamo-nos com o feito que pressuporá grande mestria do “chef”, investimento municipal e alguma confusão no contexto das preferências da dupla Almeida Henriques e Sobrado em matéria de “altos patrocínios”. Ou como de um chef estrelado fazer uma marca com sucesso. Perfeito. E os outros? Também são objecto deste “apadrinhamento”?

Ao que se vê por aí, salvo algumas derivas culturais do respectivo vereador, nenhum criativo terá sido tão magnamente contemplado. Provavelmente Sobrado viu-lhe a genialidade antes dos outros. O que, diga-se, é genial. Um talento. Como os “olheiros” do futebol.

A questão também pode ser recolocada. Como se faz uma estrela, no sentido mesmo de “star”, ídolo? Será um misto de capacidade pessoal e forte patrocínio institucional?

A aposta da edilidade na gastronomia que mais-valias trouxe para o Concelho de Viseu? Estão quantificadas? A estrela Michelin era o “7º cume do Everest” a atingir? Quanto nela foi investido? Esta estrela conseguida favorece um restaurante dos muitos existentes no Concelho, ou todos, em geral? Se sim, porque um em detrimento de tantos outros? Porque ali estava o “Aladino gastronómico”? E AH descobriu-o e ajudou-o a ir mais longe?

Boas questões. As respostas já pouco importam. O acto foi consumado e teve um final feliz.

É tempo de tinto no branco ou branco no tinto. Pinga & Literatura, dizem. Vêm estrelas de Cabo Verde – que tem um belo e cerúleo céu – e de outras distantes paragens internacionais. Esta coabitação gera um novo “cluster”? Interessante o possível étimo e fio condutor do sym posium, a arte grega de beber em companhia, começando com vinho aguado para desinibir e chegando, gradualmente à pinga de grau, para uma ebriedade criativamente colectiva e feliz.

O delírio (delirium… estar fora de si) não tem preço. Só o desvairo, que pode ser “insânia” e “loucura”. O que, obviamente, não é o caso.

Caso mesmo sério é a nova cobertura do Mercado 2 de Maio. Milhões para estragar ou para compor? Quem é o “esteta do reino”, que credenciais detem e quem lhe deu competências para agir em matéria tão sensível? Estes tipos, que costumam acertar uma em dez, serão fiáveis? Ou só meros “caterpillars” ao serviço de uma pseudo inovação acriteriosa, vulgo destrutiva?

PS: Parabéns a Diogo Rocha.

Paulo Neto