É preciso ter topete!

por Carlos Cunha | 2019.08.25 - 11:23

Topete é um substantivo masculino de origem francesa. Entre várias designações também pode significar ter descaramento.

Na cena política nacional, podemos dizer que temos tido alguns políticos que usam e abusam desta característica. Assim, repentinamente, o expoente máximo da prática do topete é o inolvidável José Sócrates. Usando uma linguagem tipicamente beirã podemos dizer que foi, desde o 25 de Abril de 1974, o maior de todos os trapaceiros que passaram pela política. O PS prefere ignorá-lo e de adorado passou a proscrito. António Costa que esteve com ele nos dois governos herdou-lhe boa parte dos ministros, que ficaram de braços cruzados quando Sócrates atirou Portugal para o precipício.

Por estes dias, enquanto percorria a EN2, António Costa disse que tinha uma dívida para com o Interior. É caso para ter topete! Quando teve oportunidade de fazer diferente, o máximo que António Costa consegue fazer é um ato de contrição público, reconhecendo placidamente a dívida! Os descontos nos passes dos transportes públicos foram para Lisboa e para o Porto. Para Viseu ficou a promessa de um Centro Oncológico, que devia estar agora a funcionar no Hospital de Viseu. Falharam os médicos na Oncologia e até o Bastonário da Ordem dos Médicos interveio para dizer que as instalações onde funciona a Oncologia não têm condições para quem lá é tratado e para quem lá trabalha, e que tudo fazem para assegurar os serviços e a devida assistência. As obras nas urgências do Hospital são uma tragédia grega, em que a construtora escolhida rejeitou fazer a obra por estar há mais de dois anos à espera. Várias dependências da Caixa Geral de Depósitos foram encerradas perante a complacência e o ar pungente dos governantes. Nas portagens, quando tiveram oportunidade de fazer diferente, os socialistas, BE e CDU resolveram encenar uma comédia teatral, de modo a que os deputados socialistas eleitos pelos respetivos distritos pudessem votar pela abolição das portagens. Mas alguém acredita que se os votos destes deputados fossem necessários para manter o pagamento das portagens nas A24 e A25 estes não seriam obrigados à disciplina de voto partidária! Da nacional 229 (Viseu /Sátão) nem vale a pena falar, porque não saiu do papel. Resta a quem por lá circula continuar a ter uma paciência monumental para enfrentar as longas filas.

Para ser coerente tenho de dizer que PSD e CDS estiveram francamente desastrosos na questão dos professores, dando o dito pelo não dito em menos de um fósforo e, por isso, pagaram nas últimas eleições europeias.

Por tudo isto, é que quando António Costa afirma que tem uma dívida com o Interior só nos resta afirmar que é preciso ter topete e muito!

Carlos Cunha

Carlos Cunha é militante do CDS-PP de Viseu e deputado na Assembleia Municipal. Licenciado em Português/Francês pela Escola Superior de Educação de Viseu concluiu, em 2002, a sua Pós Graduação em Educação Especial no pólo de Viseu da Universidade Católica Portuguesa.

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