E PaF, finou-se!

por Alexandre Borges | 2015.11.10 - 22:35

 

 

Hoje, em São Bento, por vontade da maioria dos deputados ali com assento, assento esse que resulta da vontade popular expressa nas últimas eleições legislativas, foi posto termo ao governo de Pedro Passos Coelho, Paulo Portas e companhia. O PSD e o seu pequenino satélite foram apeados das responsabilidades governativas do país. Foram-no, repito, pela vontade expressa da maioria dos deputados da nação. A vontade foi tão expressiva como a imagem que escolhi para a representar. Sem espinhas, dúvidas ou divisões.finou

 

No último mês assistimos a um nunca antes visto desfile de argumentos demagógicos e mentirosos sobre eleições legislativas e, como não poderia deixar de ser, sobre os resultados do governo Passos, que a coligação PàF, naturalmente se preparava para perpetuar. Durante Outubro e parte de Novembro foi-nos garantido que vivíamos numa espécie de país paraíso, numa colagem à tristemente famosa Teoria do Oásis. Como não estava nos planos dos eternos defensores do abstruso “arco da governação” que o PS não caísse na órbita da coligação, foram-se também destapando alguns sinais da realidade que nos foi propositadamente omitida. Só a título de exemplo e do que aí vem, alguém sabe qual é a percentagem que lhe vai ser devolvida da sobretaxa de IRS? Aquela que o governo, via site das AT, garantia antes das eleições que seria de quase 40% e que logo após 4 de Outubro já não chegava aos 7%.

 

A berraria foi tanta que até de ilegitimidade a esquerda foi acusada. Vá-se lá saber porque capricho Passos e Portas não conseguiram convencer ninguém a dar-lhe o benefício da dúvida. Para quem passou os últimos quatro anos a desdenhar e a zombar em tudo o que mexia, a hostilizar tudo e todos, a dividir os portugueses, a mentir descaradamente, não se compreende como não foi dado o benefício da dúvida. Ou então terá sido por isso mesmo.

 

Vá-se lá saber porquê, Passos depois de indigitado por Cavaco, apresentou um programa de governo aos deputados. Terá sido obrigado ou fê-lo de forma voluntária? Vá-se lá saber porquê, esse programa de Passos foi chumbado e a consequência desse chumbo é a queda do governo Passos. Para quem nos tentou lavar o cérebro dizendo que só à PàF tinha a legitimidade para governar, deturpando uma Constituição que abominam, enchendo a boca com tradições, mentindo e voltando a mentir, é no mínimo estranho que isto possa acontecer. Mas se não nos esquecermos que o defunto governo recorrentemente usa argumentos mentirosos e considerarmos que se trata apenas de mais um, usado em desespero de causa, então não estranhamos que seja só mais uma patranha para tentar iludir os portugueses e, mais uma vez, dividi-los em torno de falsas questões. Passos e os seus estrategas limitaram-se a ir ao baú de Relvas e Marco António, ver o que estava disponível. Mas dali, como sabemos, ali a receita é sempre parecida.

 

Hoje caiu o governo liderado por alguém que ganhou eleições mentindo descaradamente, dizendo que os sacrifícios impostos eram demais e que nunca iria acabar com o 13º mês. Foi ao chão um governo liderado por alguém que não pagava Segurança Social e que teve a distinta lata de dizer que não sabia que tinha que pagar, que jurou que nunca tinha recebido um tostão do Conselho Português para Cooperação mas, quando foi desmascarado, disse que eram ajudas de custo e não salários (e com isso soube-se que igualmente não pagava impostos). Hoje caiu um governo liderado por um deputado que declarou exercer funções em regime de exclusividade para ter direito a um subsídio de reintegração, quando afinal se verificou que não era bem assim. Hoje caiu o governo liderado por alguém que, em conjunto com Relvas liderou a Tecnoforma usando fundos comunitários para ganhar dinheiro e não para formar os portugueses. Hoje caiu um governo de gente muito pouco recomendável e isso é obrigatoriamente uma vitória.

Natural de Canas de Senhorim. Licenciado em geologia pela UC.
Virulentamente bombeiro.
Gosta de discussões cordiais, de vaguear pelo mundo munido de auscultadores.

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