E ninguém explica o “Caso Centeno”?

por PN | 2018.02.09 - 11:02

 

Portugal está uma verdadeira choldra. Houve um escritor qualquer – talvez Eça – que o registou há século e meio. Pelos vistos, pouco ou nada mudou na justificação do epíteto.

Mário Centeno – goste-se ou não do estilo, e eu, pessoalmente gosto – é um ministro das Finanças low profil, sempre e como que a pedir desculpa da sua timidez, com ar de académico discreto, distante dos pavões emplumados que por aí abundam na micro-política nacional.

Centeno fez um trabalho relevante que a muitos engulhou. Cereja em cima do bolo, foi eleito para presidente do Eurogrupo, instituição que congrega os ministros das finanças de toda a EU. Rangeram os dentes de inveja, cerraram-se os maxilares de raiva. Como abatê-lo? É simples… pôr uma plataforma digital a acusá-lo inviamente de distorcidas e irrelevantes falsidades, ademais absolutamente descontextualizadas; passar a calúnia ao pasquim de serviço mais inescrupuloso dos media nacionais; fazer um linchamento na praça pública; pôr em causa o seu eficaz trabalho e a sua prestigiante nomeação.

De seguida, estes serviçais lugares-tenentes da desgraça, marionetas dos patrões, que por sua vez, atrás de si, outros mandantes têm, acolhem a “simpatia” do MP que, com a sua costumeira eficiência, perante a “limpidez” factual, logo ordenou um inquérito com mediática busca ao Ministério das Finanças.

Perante a inconsequência/arquivamento da “acusação” e face ao fervor judiciário, colocam-se as questões:

Quem ordenou este charivari inquisitório? Com que fundamento? A mando de quem? Quais as consequências para o zeloso magistrado?

Ao que se começa a perceber cada vez com mais frequência do que a desejável, uma certa justiça cumulada de inusitados privilégios, começa a ser objecto e alvo de uma excessiva mediatização – tão avessa à estimável discrição – e a reger-se por uma intempestividade de difícil compreensão e aceitação.

 

(Foto DR)