E ESTA?!…

por Cílio Correia | 2017.03.28 - 09:15

 

Há dias tive que ir a Lisboa. Apanhei o comboio em S. C. Dão até à Gare do Oriente o que me permitia comer no Centro Comercial. O encontro era só de tarde e, de táxi, colocava-me lá num instante. Fui em 2ª classe, paguei cerca de 19 euros. Como era dia de semana o comboio enchia e esvaziava, conforme as necessidades dos passageiros. Tomei um café. Eram 11 horas estava a chegar a Lisboa.

Almocei no “Vasco da Gama”. Quando estava na fila para apanhar um táxi, julgava que era o primeiro que estava à frente da porta do centro comercial, quando fui informado que era mais à frente, uns bons 30 metros de fila de táxis.

Olho e apercebo-me que vinha, atrás de mim, um casal de idosos. Ele devia ter uns 80 anos, desenvolto e ela, da mesma idade, numa cadeira de rodas, mais por uma questão de mobilidade. Ele empurrava a cadeira com a mulher e tinham que fazer o mesmo percurso para apanhar um táxi. Não me pareceu correcto, mas enfim.

Agarro na cadeira e ajudo o idoso com a esposa na cadeira até ao táxi mais distante (!) da porta de entrada. Era assim que estava organizada a fila de táxis. No caminho fomos comentando o disparate, mas como somos simples cidadãos, desabafamos, mas ninguém nos ouve, dizia o velhote. Já não era a primeira vez. O centro comercial era uma distração para eles, nascidos e criados em Lisboa.

Viviam sozinhos. O familiar mais próximo trabalha e vive em Leiria. Ajudei-os a entrar no carro e a arrumar a cadeira de rodas no porta-bagagens, com a ajuda simpática do taxista a quem falo na incongruência de ter uma fila de táxis cujo primeiro carro não está na porta de saída, mas 30 metros à frente. Não obtenho resposta, nem estava à espera, mas não me pareceu correcta a situação.

Ajudei a sentar a senhora nos lugares traseiros, mesmo à beira do passeio. O marido ia sentar-se no lugar da frente, mas só depois de fechar a porta de trás e verificar se o “trinco” estava corrido. Agradeceu e estendeu-me uma nota de cinco euros pela simpatia. Agradeci, mas não aceitei. Disse-lhe que ficava por conta dum café que havíamos de tomar um dia destes no Vasco da Gama. Insistiu, apesar da recusa. A resposta foi a mesma. Cumprimentei o casal de idosos, desejei-lhes boa viagem, saúde e fiz votos para que nos encontrássemos um dia, para um café ou um chá.