E com o rufar dos tambores uma ténue linha separa o medroso do merdoso!

por José Chaves | 2018.10.11 - 09:21

 

Estas eleições no Brasil têm algo de espantoso. A comunicação conseguiu que as duas grandes bandeiras atuais da luta pelo poder: a insegurança e a corrupção, fossem atribuídas a uma determinada ideologia. Inusitadamente, deixou de ser algo referente ao indivíduo em concreto para ser algo que está ligado a uma ideologia…

A comunicação conseguir isto no século XXI é uma proeza enorme, mas conseguir isto e depois que grande parte da população acredite e defenda, então é algo extraordinário, ou como disse Charles Darwin: “O tempo torna o impossível em possível”.

Felizmente para todos nós, nenhuma ideologia tem o exclusivo destes dois impostores, estes são transversais a todos os partidos e ideologias políticas, e são pela simples razão de que todos são compostos por pessoas, e são essas que individualmente geram a violência, a insegurança e alimentam a corrupção.

O que faz pessoas (aparentemente) inteligentes, (aparentemente) solidárias, com princípios humanistas acreditarem nisto? Só me ocorre a frase de Mário Quintana: “a burrice é invencível…

Por outro lado e de regresso a Portugal, recentemente tivemos alguns homicídios que nos sensibilizaram a todos pela frieza de atuação, pela violência, pela falta de princípios. Nenhum destes homicídios foi cometido por muçulmanos, nenhum foi cometido por negros, nenhum foi cometido por ciganos, nenhum foi cometido por imigrantes, nenhum foi cometido por refugiados…

E agora?

Mandamos para fora do país, os brancos nascidos em Portugal, nacionalistas fervorosos defensores da pátria amada e com educações cristãs?

É que nestas coisas de violências extremas, quem tem tido melhor comportamento, são as minorias que tanto incomodam os medrosos!

Os medrosos, fruto do medo do que é diferente, conseguem fazer de exceções e atos isolados, coisas que passam a ser gerais. O seu medo é tanto que não se importam se estão a ser justos, o que importa é salvar a sua pele de inimigos que apenas existem na sua imaginação, mesmo que isso leve a que alguém seja condenado injustamente…

E é neste ponto que o medroso, exatamente pelo seu medo de fantasmas que só existem na cabeça dele, facilmente se transforma num merdoso capaz de atirar para a fogueira – inocentes – em verdadeiros autos de fé…

Quando se junta a incapacidade de pensar com o medo, só pode dar nisto:

A impossibilidade de se ganhar uma guerra contra a burrice!   

Vice-presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP)

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