Do funicular ao vanguardismo do Viriato

por Carlos Cunha | 2018.04.13 - 17:32

 

 

Viseu está a tornar-se uma verdadeira atração turística em ano de folclore. Segundo a imprensa nacional, Viseu passará a ter em 2019 o primeiro transporte não tripulado. O mais curioso é que segundo as mesmas fontes este transporte irá substituir o nosso Funicular, um transporte não poluente, que ao fim de uma década de pouco uso já vai para a reforma.

Convém relembrar que o agora quase pré-reformado Funicular custou cerca de 8 milhões de euros aquando da sua instalação, sendo 85% deste montante financiado por fundos comunitários e a restante fatia pelo Município. Para podermos ter este transporte, os cofres autárquicos despenderam mais de 1 milhão de euros. Se aos dez anos de duração, acrescentarmos os custos da manutenção simples anual a rondar os 250 mil euros, concluímos que os gastos acrescem em mais 2,5 milhões de euros.

É preciso não esquecermos que o trajeto do Funicular são apenas uns “longos” 400m. Entre o custo inicial e as despesas anuais de manutenção, o “Funiculas” já limpou 10,5 milhões de euros durante uma década. Acredito que em Portugal haverá poucas cidades que se possam gabar de terem 400m tão caros. Cada um destes 400m custou, em 10 anos, 26 mil 250 euros, o que é caso para dizer que nos saiu cara a brincadeira.

Imbuído de um espírito inovador, Almeida Henriques anunciou que o “Funiculas” iria ser substituído pelo Viriato, um transporte de última geração não tripulado e tão silencioso que pode andar de dia e de noite. Na imprensa dizem que os custos de manutenção são mais acessíveis, mas não se diz quanto é que a aquisição deste Viriato custará aos cofres da Autarquia nem como irá ser pago, nem o que irão fazer às carruagens do funicular, nem se será necessário fazer obras na linha do funicular para as adaptar ao novo transporte.

Não podemos fechar portas ao progresso, mas penso que, neste momento, Viseu tem necessidades bem mais prosaicas como, por exemplo, o arranjo do alcatrão que em certas zonas da cidade dá sinais de claro desgaste. Mas as prioridades no Rossio são certamente muito mais avant-garde.

Carlos Cunha é militante do CDS-PP de Viseu e deputado na Assembleia Municipal. Licenciado em Português/Francês pela Escola Superior de Educação de Viseu concluiu, em 2002, a sua Pós Graduação em Educação Especial no pólo de Viseu da Universidade Católica Portuguesa.

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