Desenvolvimento de Novos Produtos: importância da inovação

por Elvira Gaspar | 2015.09.17 - 23:15

A indústria dos alimentos é o principal sector na Europa, com um volume de negócios anual em 2008 de € 965 Biliões, cerca de € 58 biliões de exportações,  4,4 milhões de pessoas empregadas  e 331.000 empresas (dados de 2009).

Apesar desta indústria ser classificada como “low Tech” as empresas de alimentos exibem alta tendência de inovação e milhares de novos produtos são lançados no mercado anualmente.

A inovação consiste na renovação e alargamento da gama de produtos e serviços e dos mercados associados, na criação de novos métodos de produção, de aprovisionamento e de distribuição, na introdução de alterações na gestão, na organização do trabalho e nas condições de trabalho, bem como nas qualificações dos trabalhadores.

Todos os estudos e trabalhos realizados nos últimos anos em Portugal sobre o panorama das empresas nacionais (em geral) em termos de competitividade e desenvolvimento, apontam invariavelmente num mesmo sentido: a grande maioria tem fracos níveis de inovação empresarial e baixo nível tecnológico, organizacional e de marketing. Ora, é sabido que os papéis que a inovação desempenha são múltiplos. Enquanto força motriz, arrasta consigo as empresas em direcção a objectivos ambiciosos inscritos no longo prazo. É também ela que conduz à renovação das estruturas industriais e dá origem a novos sectores de actividade económica.

No sector agroalimentar, a inovação permite que no mundo empresarial haja disseminação de uma cultura que promove e incentiva a diferenciação e o empreendedorismo, proporcionando a antecipação a um futuro emergente e transversal para a competitividade das empresas e regiões.

Nas regiões e nas economias regionais, cada vez mais, a direcionalidade no sentido da aposta nas infraestruturas tem perdido relevância em detrimento da emergência dos factores imateriais ao nível das acções inovadoras e da aprendizagem, assim como da promoção de um novo tipo de equipamentos que assentam inegavelmente em elementos tangíveis (unidades de Investigação e Desenvolvimento (I&D) institucionais e nas empresas, incubadoras, parques de ciência e tecnologia, laboratórios, centros de transferência de tecnologia, entre outros), apresentando uma organização reticular, valorizando a interatividade e traduzindo a operacionalização das políticas de desenvolvimento. As organizações (empresas incluídas) têm objectivos a atingir, o mais premente de entre eles é o da sobrevivência. Todo o esforço de/para inovação decorre de tais objectivos, de modo a garantir o melhor desempenho possível das empresas, internamente e no seu relacionamento com o meio exterior. Portanto, os clientes, os fornecedores e os concorrentes são agentes importantes a ter em conta nos processos de inovação.

O modelo conceptual de desenvolvimento territorial relacionado com os sistemas de inovação regional aparece assim de forma transversal e integradora dos papéis, dinâmicas e potencialidades dos processos de aprendizagem, conhecimento e inovação nas cidades e regiões (nomeadamente com a valorização das unidades de I&D institucionais e nas empresas). Deste modo, o sistema de inovação pode ser entendido como a inclusão das organizações e das instituições envolvidas em atividades de pesquisa e exploração (unidades e laboratórios de I&D, universidades, institutos politécnicos, entre outros), mas também como o resultado da interacção entre a estrutura económica e a esfera institucional, condicionando (positiva e negativamente) os processos de aprendizagem, de I&D e numa perspectiva alicerçada no modelo interactivo de inovação.

Incluídos nos critérios para a inovação estão: as Patentes, os gastos em investigação e desenvolvimento (I&D), o número de novas ideias, o número de novos produtos , o número de novos designs, o número de trabalhadores em I& D, os produto s inovadores de referência, os direitos de autor e de marca, a ligação com tecnologia externa, os novos serviços, as novas práticas de trabalho e os novos processos.

A industrialização dos territórios tem-se mostrado directamente associada ao comportamento espacial das unidades de I&D nas empresas e institucionais. No caso das unidades de I&D institucionais destaca-se o efeito cumulativo da interacção entre o quadro produtivo e as instituições de I&D, independentemente da especialização da estrutura industrial.

A Figura 1 ilustra a relação entre I&D e os índices de terciarização e industrialização em Portugal:

mapa

Figura 1 – Mapeamentos do pessoal envolvido em Inovação e Desenvolvimento (I&D), índice de Tercialização e Índice de Industrialização. Fontes: INE (2010) e Anuários Estatístico

 

É possível verificar a forte associação entre os diversos comportamentos e trajetórias económicas, inovadoras e territoriais. Sendo certo que existe uma relação forte entre a dinâmica de I&D institucional e das empresas, também se verifica que em Portugal, em grande parte dos casos, existe uma tradução directa da densidade de unidades de I&D com o PIB, significando que existe uma repercussão da investigação e desenvolvimento na criação de riqueza e na capacitação da competitividade territorial .

Ter como âncora a valorização das infraestruturas de inovação, I&D e de conhecimento, parece ser um dos elementos fundamentais para o incremento de dinâmica de conhecimento e competitividade territorial em Portugal. O peso do complexo agro-alimentar na economia Portuguesa corresponde a 4,1% (2012) do PIB,  a  12% (2011) do emprego,  a 8,4% (2012) das exportações a a  14,4% (2012) das importações.

Tendo em conta a importância deste sector a I&D e a Inovação têm pois um papel decisivo tendo em conta os novos desafios que se colocam ao sector, a Portugal e às regiões, em particular às do interior do nosso território. Como desafios interessantes, nos próximos anos temos:

• A promoção da autenticidade e qualidade dos produtos tradicionais portugueses e o lançamento de novos conceitos de alimentação portuguesa mais saudável, original e conveniente;

• O aumento da incorporação de matérias-primas nacionais na indústria agro-alimentar;

• O desenvolvimento e a comercialização de novos produtos alimentares com dimensão competitiva e valor acrescentado, tendo também em conta nichos de mercado com necessidades nutricionais específicas (incluindo oferta religiosa).

 

Fontes de consulta interessantes:

http://www.dgeec.mec.pt/np4/206/%7B$clientServletPath%7D/?newsId=11&fileName=Ranking2012_PublicacaoEmpresas_022015.pdf

http://www.dgeec.mec.pt/np4/206/%7B$clientServletPath%7D/?newsId=11&fileName=IPCTN_SerieLonga_23122014.pdf
http://dspace.uevora.pt/rdpc/bitstream/10174/3031/1/Investiga%C3%A7%C3%A3o%20e%20desenvolvimento%20empresarial_investir%20no%20futuro.pdf
http://observatorio-das-desigualdades.cies.iscte.pt/index.jsp?page=indicators&id=70
https://www.fct.pt/esp_inteligente/docs/AgroAlimentar_ENEI_Aveiro.pdf

 

Nascida em 1960, em Luanda, Angola. Pais Beirões (Pai de Mangualde, Mãe de Cantanhede) – raízes genéticas e culturais que me “desassossegam”. Ensino secundário em Mangualde (um privilégio!) (transição colégio-liceu, 1975-1978). Licenciatura em Engª Química pela Universidade de Coimbra (1983). PhD em Química, especialidade Química Orgânica, pela Universidade Nova de Lisboa (1994). Docente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa desde 1984.

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