Deixa arder que o meu pai é bombeiro

por Pedro Ribeiro | 2018.04.19 - 19:34

 

Conhecida expressão de deixa andar, que se lixe. No meu caso era literal dizer isto por via das circunstâncias, não pelo desprezo ao assunto mas para os lados do rossio não parece bem assim. 

 

Não vale a pena andar com tangas e panos quentes, comprar funiculares autónomos esquisitos, mais um elefante branco quando sabemos que a seguir somos nós a arder. Não se espantem, ou não ardeu tudo à nossa volta? Cruzes canhoto que me engane mas o cenário será para ter em cima da mesa pois o que restou foi Viseu e norte do distrito.

Viseu foi felizmente apenas beliscado em três freguesias, choveu por sorte. O nosso edil prontamente se desdobrou em entrevistas, sem show off, claro. E daí para cá foi de festa em festa, fiel a si mesmo. Mas, e o resto? E nós cidadãos rurais alguns a quase meia hora do socorro neste concelho imenso? Voltarei ao assunto pois quartéis na cidade parece que não servem. Seria de esperar algo com a nomeação de um Comandante Operacional Municipal mas foi apenas para culminar numa nomeação para o corpo de Bombeiros Municipais. É que é tudo muito lindo mas pontos de abastecimento como cisternas, zero. Construiu quantos? Reuniu quantas vezes com as freguesias a inteirar de fragilidades, sobre as limpezas do que é municipal? Quantos metros a câmara limpou de estradas municipais, de terrenos? Quantas associações de baldios foram chamadas?

Continuemos no paraíso de festa em festa, não fiquemos é num inferno que ficou à porta. E já agora… Que incentivos dá a câmara aos seus bombeiros? Sim, esses escravos do Bem, sejam eles municipais ou voluntários são afinal o garante deste matagal todo. Isenções de IMI por exemplo não é de certeza, pagar propinas aos seus filhos ou jovens bombeiros, tá quieto. Acessos gratuitos aos serviços municipais, obviamente que não que isto não é a casa da “mãe Joana”. Quando nem na feira anual de Viseu entram gratuitamente ou sequer um monumento ao bombeiro faz, são coisas que não interessam para nada.

Seja 2018 um ano atípico com poucos e pequenos incêndios, festejemos bem regados que o dão correrá sempre novo, nem que seja a tinto.

Membro comissão política conselhia CDS Viseu

Pub