CUIDAR SEM SUJEITAR

por José Carreira | 2018.08.05 - 14:58

 

Se consultarmos o dicionário online https://www.priberam.pt, verificamos que “sujeição” é um substantivo feminino que pode significar: 1. Ato ou efeito de sujeitar; 2. Dependência; submissão; acatamento.

No que concerne ao tema que pretendo começar a abordar, poderão ser utilizadas outras expressões como “restrição”, “contenção” …

É comum a imagem de pessoas idosas amarradas na cama ou num cadeirão.

Como se sentirão estas pessoas? Como se sentem os familiares ao vê-los?

Como nos sentiremos nós se estivermos atados e esquecidos a maior parte do dia?

As sujeições podem ser físicas ou mecânicas e / ou químicas.

Sujeição física ou mecânica:

“Qualquer ação ou procedimento que não permita a uma pessoa mover livremente o seu corpo para uma posição que queira e / ou uso de algum mecanismo que esteja agarrado ou próximo do seu corpo e que não pode controlar ou retirar facilmente.” (Physical Restraints: Consensus of a Research Definition Using a Modified Delphi Technique. J Am Geriatr Soc. 2016 Nov;64)

Sujeição química:

“O uso de psicofármacos, independentemente do grupo ou família utilizado e/ou em doses que limitem ou restringem a mobilidade e comprometem as atividades da vida diária (levantar-se, vestir-se, ir à cada de banho…) assim como o funcionamento mental (diminuição da capacidade de pensar com o objetivo de controlar uma conduta inadequada, a deambulação, recusa de cuidados…) e sempre que não tem na sua base um transtorno psiquiátrico ou médico diagnosticado, a não ser que se utilizam por conveniência organizava e não em benefício da pessoa. O mesmo será dizer que se trata da utilização de medicamentos para tratar um problema para o qual existe melhor tratamento.” (Documento de Consenso sobre Sujeciones Mecánicas y Farmacológicas, Sociedad Española de Geriatría y Gerontología, 2014)

Multiplicam-se as evidências científicas sobre o quão negativa é a utilização de sujeições. Simultaneamente, há cada vez mais testemunhos positivos sobre os benefícios de participar em programas de redução das sujeições e os casos de êxito pessoais e institucionais.

Não restam dúvidas de que temos que trabalhar para cuidar sem sujeitar, temos que preparar-nos para fazê-lo bem e com garantias.

Um pouco por todo o mundo está a desenvolver-se um movimento que procura a HUMANIZAÇÃO DO CUIDADO, potenciando os valores relacionados, não tanto com tratar e curar, com tratar e cuidar.

Para reflexão:

Apoiar a pessoa que cuidamos é protegê-la de todos os perigos ou, pelo contrário, reconhecer o direito à adoção do risco que representam as suas opções de vida?