crescer para onde?

por Maria José Quintela | 2017.07.17 - 21:20

 

 

eles não sabem que o mundo é uma ilha sem pontes para o além? saber sabem. mas sonham com a imortalidade. enterram a cabeça na demagogia das palavras e dos números para não enxergarem o abismo. querem mais. querem muito mais. querem sempre mais. mas não querem melhor. se não querem mudar de rumo mudem ao menos de lentes.

 

todos os dias o mesmo ruído ensurdecedor da ganância safada e egoísta. utópica. o ideal mascarado de um crescimento a qualquer preço a escalar a voz demente dos políticos e magnatas. o sonho interesseiro de ilimitar a produtividade e diminuir a felicidade. políticos e magnatas. uma ligação profundamente maligna e danosa.

 

meus senhores tenham tento na língua já que não têm vergonha. o mundo não é vosso. já não se aguenta tanta hipocrisia. nem o ruído constante do rolar de cabeças e quebrar de telhados e enfiar carapuças. as cabeças tão cheias de nenhuma ideia. a tilintar a vaidade ou a vil metal. a palavra empobrecida num jogo de cara e coroa. as bocas conspurcadas de traições e contradições. cópias e plágios.

haja limites.

 

e se começassem tudo de novo? como quem nasce ou acorda sem mácula.

sim meus senhores há um limite para o crescimento. e da felicidade que não cresce ninguém fala? até onde vai a obsessão? até onde vai a elasticidade das guerras e dos mercados? até à implosão do planeta ou até ao limite da sombra humana? escolham. mas escolham depressa que se faz tarde.