Como as coisas se querem

por Joana Gomes | 2017.04.20 - 10:52

 

 

Diz-se que a religião se quer como o sal na comida.

O que é sempre bom dito desta maneira, mas se pararmos para pensar, não andam os médicos, cada vez mais, a pedir-nos que se diminua o sal nas refeições?

Ora isto, por uma questão de lógica, traduzir-se-ia na diminuição da religião nas nossas vidas ao longo dos anos. Sabem como é, com a idade…a tensão arterial….

Bom, mas não foi para isto que me sentei hoje a escrever. Sabem, acordei a matutar. Afinal de contas, como é que as coisas se querem?

Já sabemos que a religião se quer como o sal na comida. Mas, e a vontade de viver, por exemplo? Tenho em mim a crença de que se quer como as lareiras no inverno: grande, quente…em chamas.

Muito bem, a vontade de viver quer-se em chamas. E os abraços, esses, querem-se apertados. Os beijos querem-se apaixonados. Os sorrisos querem-se sinceros, os olhos querem-se brilhantes e o coração quer-se cheio. O café quer-se quente. É o café e o caldo verde! E o amor. O amor também se quer quente, aconchegante… louco! As palavras querem-se verdadeiras, em conversas que se querem doces. Bom, as conversas querem-se doces, profundas e intermináveis. Intermináveis tal como o chocolate se haveria de poder querer, mas não pode. Consigo imaginar, negro como breu, amargo no início mas reconfortante à medida que se derrete na boca (sim, podem contratar-me para a publicidade, já viram que tenho jeito para isto). Adiante, as mãos querem-se dadas. Exacto, dadas, de dedos entrelaçados, à medida que as promessas se vão querendo cumpridas, uma vez que os planos se querem a dois… depois a três… quatro… Porque as famílias, essas, querem-se unidas! Já o céu…bom, o céu quer-se limpo, pintalgado de estrelas, em noites de verão. Ou carregado de nuvens de algodão-doce em dias de sol. Ou a ser rasgado por relâmpagos enquanto o vento se levanta numa brisa amena…

Resumidamente, o céu quer-se de muitas maneiras, mas o humor quer-se apenas bom. Não há como ter bom humor! Disso não tenho dúvidas. Tal como não duvido que uma cara se quer com um amplo sorriso e os Homens se querem livres!  A mente quer-se aberta e o corpo são. Os olhares querem-se cúmplices, a água límpida e os sonhos, oh, os sonhos… Os sonhos querem-se do tamanho do mundo e o mundo quer-se numa canção. As mesas querem-se fartas, a alma quer-se tranquila, os bebés querem-se no colo e as histórias querem-se com um final feliz.