Chove a valer em Viseu

por Carlos Cunha | 2018.03.05 - 10:12

 

         Agora que voltamos a ter chuva com fartura em Viseu, já podemos andar um pouco mais sossegados quanto ao futuro, e refiro-me, em concreto, ao próximo Verão, fazendo votos para que esse bem essencial, que é a água, nunca deixe de correr nas nossas torneiras.

         A seca vivida no Verão de 2017, despertou-nos para vários problemas: o primeiro é que não conseguimos satisfazer uma das necessidades básicas que é a do abastecimento de água. Para que a água não faltasse houve necessidade de se reduzir a pressão nas torneiras e de fazer transportar por camião cisterna uns bons milhões de metros cúbicos do preciso líquido. Passou igualmente a haver mais racionalidade na sua utilização, percebendo-se que a água doce é um bem escasso e que deve ser corretamente utilizado. Por força das circunstâncias também se percebeu que havia prioridades, por isso, se deixou de regar a relva em alguns espaços públicos.

As alterações climáticas vieram para ficar e o homem vai ter de começar a mudar alguns comportamentos e hábitos para se poder adaptar a novas realidades. Em Viseu, foi necessário gastar 250 mil euros a comprar água, muito mais se gastará certamente em frivolidades, para se perceber que algo havia a fazer e assim vieram as ensecadeiras, que nos vão custar metade daquilo que gastámos no último Verão a comprar água ao camião e cuja capacidade de armazenamento vai até três meses. Recordo-me que, na altura, se colocou a hipótese da água nos chegar por comboio, mas não foi preciso chegarmos a tanto. Esta alternativa ficou “em águas de bacalhau” por ser mais onerosa e por toda a logística que envolvia para transportar a água dos comboios para os depósitos de água.

Porém, ficou por fazer uma obra que a meu ver, que não sou entendido na matéria, era absolutamente essencial e que consistia no desassoreamento da Barragem de Fagilde, pois trata-se de um equipamento com mais de trinta anos e que nunca teve uma intervenção desse género e que, pelos vistos, não a irá ter tão cedo.

Com a seca também se percebeu que não é só o Concelho de Viseu que depende da água de Fagilde. Os concelhos de Mangualde, Penalva do Castelo e Nelas também. Logo, esta é uma barragem absolutamente prioritária para o abastecimento, por isso, é necessário que o abastecimento para os incêndios seja feito prioritariamente noutros locais, o que me parece uma medida acertada.

Em desacerto parece andar o PS, e não estou a referir-me à confusão que grassa pela Concelhia de cruzes e cruzinhas fora de sítio, e que vai levar novamente os cerca de 460 militantes a votos. Também nas questões da água o PS parecia inclinado para uma coisa e agora optou pelo seu contrário. Num primeiro momento pareciam estar de acordo com a construção da Barragem da Maeira, no Rio Vouga, no entanto, parece que agora mudaram de opinião, optando pela instalação de condutas que levarão a água do Rio Balsemão até à cidade.

Eu que não sou técnico, mas tenho opinião enquanto viseense, defendo que enquanto andarmos com remendos não resolveremos o problema. Se Matos Fernandes, o Ministro do Ambiente, nos quer impingir esta como a melhor solução a curto o prazo, não me parece que seja o melhor caminho a seguir no longo prazo. Basta recordarmo-nos todos mais uma vez do IP3 para se perceber como vão sendo enganados os viseenses.

Carlos Cunha é militante do CDS-PP de Viseu e deputado na Assembleia Municipal. Licenciado em Português/Francês pela Escola Superior de Educação de Viseu concluiu, em 2002, a sua Pós Graduação em Educação Especial no pólo de Viseu da Universidade Católica Portuguesa.

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