“Blue-day”…

por Joana Gomes | 2018.01.18 - 18:26

Começámos esta semana com o dia mais triste do ano. Ou, pelo menos, assim nos quiseram fazer parecer: chegada a terceira segunda-feira do mês de Janeiro, estamos perante o dia mais triste dos 365 que 2018 nos reserva. Ora porque já nos apercebemos que estamos a falhar redondamente com as resoluções de ano novo, ora porque a conta bancária continua muito próxima da “linha d’água” – o que nos faz duvidar do conceito “Ano novo, vida nova”, já que o ano realmente é novo mas a vida continua a mesma vida de pobre de sempre (inserir suspiro e revirar de olhos).

Claro que o meu lado optimista atreve-se a dizer que se a passada segunda-feira foi o dia mais triste do ano, então óptimo, pois tudo o que vier entretanto não poderá ser pior! E cá entre nós, foi um dia e tanto, muito longe daquilo a que eu alguma vez poderei apelidar de triste. No entanto, e tendo em conta as razões que levaram a passada segunda-feira a ser considerada o dia mais triste do ano, lanço um “spoiler alert” : vêm aí mais!!

Andar triste, deprimido ou desmotivado, não é propriamente uma coisa que venha com data marcada no calendário das nossas vidas. Antes fosse. Desmarcava-se “o encontro” e estava tudo bem. Mas não é assim. Vendo bem as coisas, qualquer dia é um dia bom para ter pensamentos suicidas. Mas, é ainda um dia melhor para não os ter!

Não é à toa que o número de pessoas medicadas para a depressão tem vindo a aumentar ao longo dos anos. Desde cedo que começamos a incutir às nossas crianças que um dia triste é um dia anormal. Tem que correr sempre tudo bem. Não as podemos ver a chorar e vamos logo compensar, o que acaba por criar, a longo prazo, pessoas frustradas. Porque a vida real é isto mesmo: uma mão cheia de problemas e não uma segunda-feira pintada de azul no meio de semanas e semanas de vida.

Estar triste é como ter febre. É um sinal do nosso organismo a chamar-nos a atenção para algo que não está bem. Se quando temos febre procuramos perceber o que se passa, assim seja quando nos encontramos tristes.

Calma, não estou a sugerir uma corrida ao médico. Quando estamos tristes a ideia é abrandar, fazer tudo mais devagar para se poder apreciar cada movimento e perceber de onde vem essa onda de infelicidade.

Por vezes estamos tristes porque, cegos pela correria da vida, não conseguimos apreciar tudo quanto temos. Outras, estamos tristes porque estamos no lugar errado, rodeados de pessoas erradas. E, enquanto que no primeiro caso, o segredo é ser-se grato, neste último caso, o que eu costumo dizer é o seguinte (e vale o que vale!!): esqueçam a premissa de que quando se fecha uma porta, algures nas nossas vidas se abre uma janela. Deitem mão à obra e, antes que seja tarde, comecem a abrir as janelas todas para que, com a corrente de ar, as portas que vos fazem acordar ansiosos e angustiados se fechem de uma vez por todas.

Resumidamente, tudo quanto nos basta para enfrentar as “blue every-single-day” desta vida é coragem, paciência e criatividade. Coragem para dizer basta a tudo o que nos puxa para baixo. Paciência com o nosso humor quando o problema é grande e leva tempo a resolver. E criatividade para reinventar novos sonhos e ir atrás das coisas boas da vida. Às vezes torna-se ridículo de tão simples, como ir jantar ao restaurante favorito, ou ao cinema com a nossa “outra parte”, ler um livro numa tarde de sol, tomar um copo com os amigos ou viajar até Paris. Sim, Paris!! Aconteça o que acontecer Paris é a solução – acreditem no que vos digo, nos filmes resulta sempre!!!

E, na dúvida, tenham amor próprio e pensamentos felizes!