Almeida Henriques quer os baldios do Povo…

por Paulo Neto | 2018.02.28 - 15:08

 

 

 

É natural. Eles são do Povo e o autarca quer que passem a ser das Juntas de Freguesia, que ele afirma serem os eleitos pelos fregueses. Certo. Almeida Henriques já deve ter ouvido falar de Aquilino Ribeiro, pois até para as suas “pérolas” no CM arranjou nome de um romance desse escritor “Terras do Demo”, que viu prelo em 1919. Provavelmente nunca o terá lido, mas terá achado piada ao título, do qual, eventualmente, ignora a razão de ser.

Deve ler agora, ou mandar ler ao Sobrado – que foi professor universitário antes ou depois de ser funcionário da CCDR-N (?) – “Quando os Lobos Uivam”, romance editado em 1958, proibido pela censura e reeditado no Brasil em 1959. Por essa obra lhe foi instaurado um processo, em Maio de 1959. Foi pronunciado em Outubro e teve que pagar elevadíssima caução. O seu texto de defesa, publicado no Brasil, intitulou-se “Quando os lobos jugam, a Justiça uiva”.

Para nós serranos, é sempre opressão, ainda que se não proteste, ainda que não saibamos exprimi-la. Nós somos bárbaros, mas bárbaros sem trela. Temos muito dos lobos que, mesmo nas selvas plantadas a cordel, não aprenderam a moderar os instintos da sua braveza.”, escreve Aquilino.

Sinopse:

“Serra dos Milhafres, finais dos anos 40, altura em que o Estado Novo resolve impor aos beirões uma nova lei: os terrenos baldios que sempre tinham sido utilizados para bem comunitário e onde essa comunidade retirava parte vital do seu sustento, seriam agora “expropriados” e esses terrenos utilizados para plantar pinheiros. A revolta do povo e de Manuel Louvadeus é a base do romance de Aquilino Ribeiro. “Escrito em prosa viril, classifica o governo de ‘piratas’”, acerca dele escreveu o censor encarregado da revisão, “o autor intitula este livro de romance, mas com mais propriedade deveria chamar-lhe um romance panfletário”. “São desnecessárias mais citações, porque basta folhear o livro, encontra-se logo matéria censurável em profusão”.

Já com a Gestin e os baldios existiu uma história mal contada.

Agora, de novo, se querem tirar ao povo os terrenos e se dão às Juntas de Freguesia, que sempre os podem vender a quem muito bem entenderem (foram-lhes baratos…) que, e por sua vez, com eles poderá fazer grandes negociatas.

Infra estão dois links que o remetem para a Rua Direita, para a Gestin, para terrenos baldios vendidos por uma Junta…

O leitor, inteligente como é, tirará suas conclusões.

Para o autarca viseense,  os baldios são uma “imoralidade que nunca se acaba”. Mas não fica por aqui, porque logo lhe atira à cernelha: “É um disparate”.

Evidentemente que não percebemos, pois não estivemos na AM onde a ideia foi propagada, se o “disparate” são as suas próprias palavras, acalentando ainda essa esperança. Porém, e já que falamos em fauna beiroa, dali não há lura donde saia laparoto…

Por isso, porque o Povo é sereno e porque é “imoral” ele ter baldios, toca a arrebanhar-lhos e… rapidinho.

 

 

A GESTIN é uma história mal contada…

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